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IA: Trump diz que CEOs concordaram em autorregular riscos – 29/09/2026 – IA


Washington

|Financial Times
Donald Trump rejeitou os apelos por uma regulamentação mais rígida da inteligência artificial, em uma demonstração de força sobre executivos de tecnologia como Dario Amodei, da Anthropic, convocado por ele à Casa Branca após uma série de ataques cibernéticos.

Após um almoço com bilionários da tecnologia nesta terça-feira (29), entre eles Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg, o presidente dos EUA encerrou as discussões sobre novas leis para reger o setor e, em vez disso, defendeu uma “autorregulação ampla”.

Donald Trump sentado ao centro de uma mesa de reunião na Casa Branca, cercado por executivos e autoridades, incluindo Elon Musk e Sundar Pichai, com cortinas douradas ao fundo.

Encontro de CEOs da tecnologia na Casa Branca; sentados à mesa, da esquerda à direita, estão: Mark Zuckerberg, CEO da Meta, Jensen Huang, CEO da Nvidia, Donald Trump, presidente dos EUA, Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, e Sundar Pichau, CEO do Google

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Jonathan Ernst/Reuters

Ao exibir seus convidados diante dos jornalistas, o presidente —que tem se oposto sistematicamente a novas leis sobre IA, apesar do apoio popular a essas medidas— afirmou que os 20 executivos do Vale do Silício presentes haviam concordado com um pacto “moralmente vinculante” para administrar voluntariamente os riscos da tecnologia.

Trump disse que o documento era “quase como uma Constituição”, enquanto o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, que também participou do almoço, afirmou que o acordo comprometia as empresas com “controles internos rigorosos e várias instâncias de análise interna e externa”.

A intervenção do presidente ocorre depois que Amodei se juntou ao rival Musk e a Sam Altman, da OpenAI, para pedir um acordo que abrangesse todo o setor e desacelerasse o desenvolvimento de modelos avançados de IA, em meio às crescentes preocupações com a segurança.

Anthropic, OpenAI e Google também defenderam leis que tornariam obrigatórias avaliações independentes de segurança e reforçariam as proteções de cibersegurança. Algumas empresas de IA também vêm pressionando por uma isenção das leis antitruste para que possam colaborar com concorrentes em questões de segurança.

Mas Trump alinhou-se a seu ex-czar da IA, o investidor do Vale do Silício David Sacks, e a Jensen Huang, da Nvidia, ao contrariar os apelos por uma regulamentação mais rígida do setor que sustenta o crescimento econômico dos EUA e que ele chamou de “galinha dos ovos de ouro”.

Em uma longa entrevista coletiva após o almoço, acompanhado por Zuckerberg e Huang, entre outros, Trump insistiu que as leis existentes eram suficientes para lidar com os acontecimentos recentes.

“Um agente mal-intencionado será pego, e é por isso que temos o [Departamento de Justiça], é por isso que temos o FBI, é por isso que temos a CIA”, disse ele.

Elon Musk fala gesticulando com as mãos para um grupo de homens de terno, incluindo Donald Trump, em uma área externa com câmeras e microfones visíveis.

Donald Trump e CEOs de tecnologia em entrevista após almoço na Casa Branca

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Kent Nishimura/AFP

Trump já havia afirmado que as preocupações com a segurança eram uma “farsa” e uma “conspiração doentia”, e que uma desaceleração no desenvolvimento da IA acabaria beneficiando a China.

“Não podemos sufocar [a IA]”, disse Trump em um evento realizado mais cedo na terça-feira, no qual apresentou o America.gov, um site governamental movido por IA. “Estamos à frente da China e de todos os demais, e quero que continue assim”, afirmou.

A resistência do presidente a um regime regulatório o colocou em desacordo com integrantes do movimento Maga. Steve Bannon, ex-estrategista de Trump, pediu neste mês uma desaceleração do desenvolvimento da IA. Candidatos republicanos em disputas acirradas nas eleições de meio de mandato romperam com Trump ao defender novas leis e restrições à construção de centros de dados de IA.

O almoço na Casa Branca também contou com altos executivos da OpenAI, do Google, da Microsoft e da Palantir.

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Mas o que mais chamou a atenção foi a presença de Amodei, que vem liderando a campanha por uma supervisão mais rigorosa da IA e que já foi ridicularizado por Trump como um dos “malucos de esquerda” à frente da Anthropic.

O Pentágono também havia classificado sua empresa como um risco à segurança nacional depois que ela se recusou a permitir o uso irrestrito de sua tecnologia em operações de guerra.

Em um sinal de reaproximação, o presidente jantou com Amodei na Casa Branca na noite de domingo e classificou o chefe da Anthropic como “muito respeitado”.

Autor: Folha

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