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Imprensa internacional destaca “interferência do Judiciário” após cancelamento de debate no Brasil

O cancelamento do último debate entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno das eleições no Brasil repercutiu na imprensa internacional nesta sexta-feira (2). Grandes jornais e agências estrangeiras destacaram as decisões tomadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) horas antes do encontro e a acusação da TV Globo de que houve uma “interferência indevida” do Judiciário na organização do debate.

A agência Associated Press (AP) destacou que “158 milhões de eleitores ficaram sem a oportunidade de assistir a um confronto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)” antes da votação de domingo (4). A agência americana disse que esta é a primeira vez em 20 anos que os principais candidatos de uma eleição presidencial brasileira chegam ao primeiro turno sem terem participado de um confronto público entre eles.

Ao explicar por que o debate acabou cancelado, a AP destacou as duas decisões judiciais tomadas antes do programa e a “insegurança jurídica” citada pela Globo. Uma delas, proferida pela ministra Estela Aranha, do TSE, impediu a TV Globo de manter no cenário do debate o púlpito vazio destinado a Lula. A outra, do ministro Gilmar Mendes, do STF, obrigou a emissora a incluir o presidenciável Renan Santos (Missão) no encontro. A reportagem da AP também foi publicada pelo jornal Washington Post, um dos principais dos Estados Unidos.

A agência Reuters também citou as decisões judiciais de última hora que mudaram as regras previstas para o debate e disse que a Globo decidiu cancelar o programa depois das desistências de Lula e Flávio e das mudanças determinadas pela Justiça.