O conglomerado de redes sociais Meta anunciou, nesta terça-feira (5), que começará a analisar altura e estrutura óssea dos seus usuários em fotos publicadas no Instagram a fim de dividir os perfis em faixas etárias. A tecnologia chega a Brasil, Estados Unidos e União Europeia, após testes em Austrália, Reino Unido e Canadá.
Quem tiver menos de 13 anos terá o perfil deletado, como determinam as normas da comunidade das plataformas do grupo. Hoje, a idade nas plataformas da big tech é autodeclarada e a obrigação de verificar a faixa etária dos usuários no Brasil terá início apenas no segundo semestre do ano que vem. A medida, diz comunicado da Meta, é um esforço para garantir que menores de idade tenham experiências seguras e positivas.
A medida serve como resposta a uma série de medidas governamentais para restringir o acesso de menores de idade às redes sociais e a processos judiciais nos EUA que mostraram a estratégia da big tech de se expandir entre jovens.
Também se antecipa à exigência do ECA Digital de identificar a idade dos usuários para garantir medidas de proteção específicas para menores. As autoridades passarão a fiscalizar o cumprimento dessa exigência apenas em 2027, de acordo com o calendário da ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados).
Com a mesma ferramenta, a Meta colocará usuários com idade entre 13 e 18 anos em contas de adolescentes, que têm mecanismos de supervisão parental, menor exposição à publicidade direcionada e mais restrições a conteúdos nocivos, como referências a suicídio e distúrbios alimentares.
Essa alteração ocorrerá mesmo que o adolescente tenha declarado uma idade de nascimento que o classificasse como adulto.
No Brasil, pesquisa TIC Kids Online mostra que 63% das crianças de 11 e 12 anos no país já acessaram redes sociais. A parcela fica em 33% para a faixa etária entre nove e dez anos.
O mecanismo de IA foi lançado pela Meta no ano passado, pouco antes de o governo australiano colocar em prática a proibição de redes sociais para menores de 17 anos. A experiência inicialmente funcionava com um vídeo gravado pelo próprio jovem.
Pouco após a estreia da ferramenta, jovens começaram a divulgar vídeos com instruções de como driblar o reconhecimento facial, pintando bigodes falsos ou fazendo jogos de luzes.
Testes dos mecanismos de estimativa de idade facial pelo governo australiano ainda mostraram que a faixa de erro aumentava entre pessoas com idade próxima ao limiar de 16 anos. A identificação de idade de pessoas de grupos minoritários, como trans ou integrantes de minorias étnicas, também apresentou uma taxa maior de falsos positivos ou falsos negativos.
“A Meta também está expandindo essa tecnologia pela primeira vez para o Facebook nos Estados Unidos, o que será expandido para Reino Unido e Europa em junho”, disse a empresa em comunicado.
De acordo com a Meta, a verificação de idade com IA avançada buscará, além das referências visuais, pistas contextuais para determinar se uma conta provavelmente pertence a alguém menor de idade. A forma como o usuário escreve e interage com outros posts será usada como evidência.
Empresas de tecnologia estão sob crescente pressão em todo o mundo para desenvolver medidas de verificação de idade, devido às crescentes preocupações com abusos online, saúde mental de adolescentes e disseminação de imagens sexuais infantis geradas por inteligência artificial.
Documentos anexados aos autos de um processo contra a Meta nos EUA revelaram que a empresa iniciou, em 2016, uma operação para crescer entre o público jovem, sobretudo nos EUA.
“Mark [Zuckerberg, o CEO da Meta] decidiu que a prioridade zero da empresa é crescer entre adolescentes”, afirmou Guy Rosen, o então vice-presidente responsável pela área de segurança. Ele segue na empresa, agora como vice-presidente de cibersegurança.
O diagnóstico da Meta era que o uso nessa faixa etária era baixo nos EUA, especialmente entre usuários de iOS. Na União Europeia, era um uso dentro do esperado, mas sob ameaça do Snapchat. No resto do mundo, incluindo o Brasil, os números eram bons.
A litigante, uma mulher de 20 anos identificada como K.G.M., afirmou que as redes da Meta têm um efeito viciantes e causam danos a saúde mental de menores de idade. Ela entrou no Instagram aos nove anos e relatou ter desenvolvido uma relação de compulsão com a plataforma. O juiz decidiu que a plataforma era culpada.
Autor: Folha








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