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Interesse em comum ajuda mães e filhos a fortalecer laços – 09/05/2026 – Equilíbrio

A criadora de conteúdo Mariana Amaral, 32, não mora mais com a mãe, a aposentada Ivani Amaral, 56, há sete anos. Mas todo fim de semana elas se encontram para fazer algo juntas. O passeio favorito é caminhar no parque e depois conhecer um café novo. Essas reuniões compensam a distância e as mantêm próximas, elas dizem.

Fazer atividades juntos ou ter hobbies em comum são práticas que ajudam a criar e fortalecer vínculos entre mães e filhos de uma forma prazerosa, segundo psicólogas. “Cria-se uma relação de cumplicidade e de cuidado recíproco”, afirma Maria Tereza Maldonado, psicóloga com 50 anos de experiência em terapia de família e autora de livros sobre relacionamentos.

O hobby remete a tempo livre e diversão em meio ao dia a dia corrido. Compartilhado, oferece um momento de bem-estar para os dois lados, diz Cláudia Costa Magalhães, psicóloga especializada em psicoterapia de família. “Encontrar esse espaço de convivência e de desfrute entre familiares é muito importante”, ressalta.

Magalhães observa que esse vínculo traz ainda mais satisfação quando os pais são idosos. “Traz aquela sensação de que não estamos sozinhos no mundo e temos com quem contar”, diz.

Mariana conta que em 2019 saiu da casa dos pais, em Monte Mor (SP), para trabalhar em São Paulo e que percorria o trajeto de uma hora e meia até Campinas para visitá-los aos fins de semana. Hoje ela está de volta à cidade do interior e mora a 30 minutos de carro de onde vive a família. Para a criadora de conteúdo, é sagrado passar ao menos um dia da semana com os pais.

Ivani e Mariana gostam de sair para comer, ir a shows e viajar para cidades próximas. Também combinam programas caseiros, como cozinhar e ver séries juntas. A mãe diz que para ela essa proximidade sempre foi natural, desde que a filha era pequena.

Manter essa relação faz Ivani “continuar pensando em viver”. “Quando os filhos saem de casa, você fica meio triste, sua casa fica muito quieta. A esperança de estar todo fim de semana se reunindo faz você se sentir viva”, afirma. Ela conta que passa a semana pensando nos planos que farão juntas. “Os dias passam mais leves. A vida fica mais leve.”

Mariana diz que é raro ver amigos com um contato tão próximo com a mãe. E conta que alguns já chegaram a dizer que gostariam de ter uma amizade como a delas. “Me sinto muito privilegiada. Amor de mãe é muito gratificante.”

Sair da casa dos pais não significa rompimento, mas transformação, afirma a psicóloga Cláudia Costa Magalhães. Nesse contexto, o hobby surge para gerar união, enquanto cada um constrói sua própria vida. Quando mães e filhos têm interesses em comum, atravessar a síndrome do ninho vazio fica mais tranquilo, acrescenta Maria Tereza Maldonado.

Compartilhar o gosto por uma atividade sai da obrigação de ter que cuidar do outro para um momento de conexão e bem-estar. É importante manter constância e que o encontro seja presencial, quando possível, diz Magalhães. Não morar na mesma casa é mero detalhe, pois o que importa é a qualidade do vínculo, afirma Maldonado.

Praticar exercícios físicos, como um esporte ou se aventurar numa trilha, é uma ótima opção se os pais têm condições, sugerem as terapeutas. Atividades manuais também são sugestões, como montar um quebra-cabeça ou mesmo criar um álbum de fotos. O indispensável é que seja prazeroso para ambas as partes.

Esse vínculo pode começar a ser contruído quando os filhos são pequenos e fortalecido ao longo do tempo, sugere a psicóloga e escritora.

Viajar foi um hábito que a psicóloga clínica e hospitalar Maria Alice Lustosa, 73, “plantou” no filho único desde cedo, ela brinca. Mesmo quando moravam em estados ou países diferentes eles se reuniam para explorar lugares juntos.

Prestes a completar a maioridade, o consultor Bruno Lustosa, hoje com 41 anos, viajou aos Estados Unidos para estudar e lá morou por dez anos. Foi um momento difícil, ele diz, pois sempre conviveu muito com a mãe. Numa época em que mal existiam redes sociais, manter a conexão foi complicado. Para compensar, Maria Alice visitava o filho duas vezes por ano e de lá viajavam juntos.

Quando Bruno se mudou para São Paulo, manteve o hábito de viajar com a mãe, que morava no Rio de Janeiro, todos os fins de semana. “Acho bárbaro você fazer a vida que você quer viver e poder se encontrar com seu filho”, diz ela, mãe solo por escolha.

Hoje, os dois moram a 20 minutos de carro um do outro, na zona sul paulistana. Curtem sair para comer ou cozinhar algo em casa —toda sexta-feira eles se reúnem para comer pizza, contam. Mãe e filho também compartilham o amor por cachorros e gostam de passear com seus pets.

“É uma maneira não pesada de manter uma relação mais estreita”, diz Bruno. “É mais fácil combinar um jantar e fazer alguma coisa para manter a proximidade do que ficar falando por telefone.”

Esses hobbies podem ser desenvolvidos mesmo na vida adulta, afirmam as psicólogas ouvidas na reportagem, e em qualquer tipo de organização familiar. Se a relação está abalada, fazer uma atividade junto possibilita criar um espaço sem conflitos e refazer os laços. “Nunca é tarde para construir uma relação significativa”, diz Maldonado.

Autor: Folha

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