Em busca de uma bandeira forte, com impacto rápido e fácil de entender em um tema que desponta como um dos mais sensíveis na percepção dos eleitores em 2026, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a ofensiva para tentar combater a “epidemia” de roubo de celulares que assola o país. Lançado inicialmente em 2023, o programa “Celular Seguro” ainda não teve o resultado esperado pelo governo, e não chamou a atenção dos eleitores como no Palácio do Planalto acham que se deveria.
O governo federal emitiu, desde o dia 27 de junho, uma série de alertas por meio do WhatsApp para milhões de pessoas divulgando o programa. As mensagens são para usuários de regiões que concentram os maiores índices de furto e roubo de aparelhos no país.
Conforme o governo federal, as mensagens destacam a importância de consultar o Imei, que é o número de registro do celular, antes da compra de um aparelho. Nas mensagens, os usuários também são orientados sobre a possibilidade de registrar ocorrências no Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR) em caso de roubo, furto ou outros eventos relacionados ao dispositivo.
“O Governo do Brasil informa: no programa Celular Seguro, você pode usar o Banco Nacional de Celulares com Restrição, que reúne registros de roubo ou furto no Brasil”, diz a mensagem recebida pela reportagem em São Paulo no dia 27 de junho pela manhã.
“Antes de comprar, consulte se o celular tem restrição no site do programa. Caso seu celular seja roubado ou furtado, faça o boletim de ocorrência e cadastre o celular no site do Celular Seguro. Clique (no botão abaixo) e faça o cadastro de uma pessoa de confiança para registrar eventuais ocorrências sobre seu aparelho.”
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O objetivo do programa “Celular Seguro” é coibir o roubo e furto de smartphones. O sistema permite que o consumidor solicite, em caso de furto ou roubo, o bloqueio ao acesso à linha telefônica e aos aplicativos de bancos para evitar que os criminosos apliquem golpes após a subtração dos telefones.
Para usar o recurso, é necessário cadastrar o aparelho previamente na plataforma. A partir do registro da ocorrência no aplicativo, a ferramenta notificará operadoras de telefonia e bancos que optaram por participar do programa. O objetivo é fazer com que o consumidor perca menos tempo ao entrar em contato com cada instituição.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, pessoas que estiverem com celulares irregulares e decidirem entregá-los às autoridades não serão punidas, desde que colaborem com as investigações e informem onde adquiriram o aparelho.
Em clima de campanha eleitoral, o presidente Lula tem incluído o tema nos discursos em eventos públicos. “A hora que você tiver que falar no celular, olhe bem do seu lado e veja se tem alguém perto de você. Veja se tem alguém andando de bicicleta perto de você, fazendo pirueta de bicicleta, porque você pode ser assaltado”, afirmou no último dia 23, por exemplo, durante cerimônia na Base Aérea de Guarulhos, na Grande São Paulo.
“O que a gente está dizendo é: se você tem um telefone roubado, você comprou um celular sem saber que era roubado, mas comprou, se você perceber agora, você tem que procurar uma delegacia para entregar”, disse o presidente. “Não tenha medo de ir para a delegacia, você não será preso, é apenas para devolver o celular.”
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De acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 15 de abril, a violência é o principal problema do Brasil para 27% dos entrevistados. O levantamento foi realizado entre os dias 9 e 13 de abril e reflete a opinião de 2.004 eleitores com 16 anos ou mais. A sondagem foi feita com questionários telefônicos e entrevistas presenciais, e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A taxa de confiança do levantamento é de 95%.
Na série histórica da Genial/Quaest sobre o tema, a violência vem se mantendo no topo da lista das preocupações das pessoas desde o início de 2025 — o ápice ocorreu em novembro de 2025, quando os números chegaram a atingir quase 40%.
Os números coincidem com a ascensão das facções criminosas e com o alastramento delas para todo o território nacional, além do descontrole no roubo e no furto de celulares, que hoje atinge não apenas os grandes centros, como também cidades de médio porte.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, atualizado com dados consolidados de 2025, o Brasil registra uma média de 3,2 mil celulares roubados ou furtados por dia, o que equivale a cerca de 1 milhão de ocorrências anuais. Os reflexos se estendem: estimativas do Banco Central e de federações bancárias indicam que o prejuízo indireto causado por invasões de aplicativos de bancos, após o roubo do aparelho físico, movimentou cerca de R$ 3,5 bilhões em transações fraudulentas apenas no último ano.
Com o perigo na espreita, o comportamento do brasileiro mudou. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio revelou que 42% dos cidadãos em capitais admitem ter deixado de circular em determinados horários ou locais por medo específico de ter o celular subtraído. Além disso, o custo das apólices de seguro para smartphones subiu 22% entre 2025 e 2026.
Na cidade de São Paulo, epicentro dos crimes de roubos e furtos de celulares no país, regiões centrais, como a Avenida Paulista, registraram queda nos índices, enquanto os bairros de Capão Redondo, Jardim Herculano e Parque Santo Antônio, na periferia da zona sul, consolidaram-se com mais registros.
O levantamento é do jornal O Globo publicado no final de abril e evidencia que distritos localizados em um raio de apenas dois quilômetros somaram 4.852 roubos e furtos de celular no último ano. Esse montante representa um crescimento de 14% nessas localidades, contrastando com a queda geral de 15,5% registrada no restante da capital paulistana.
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