Rio de Janeiro
Crítica | RJ
Majórica
Cinco estrelas (Ótimo)
R. Sen. Vergueiro, 15, Flamengo, região sul, Rio de Janeiro. @majoricario
Com 65 anos de ótimos serviços prestados à gastronomia carioca, a churrascaria Majórica exibe em sua fachada uma placa de patrimônio cultural da cidade, mas não costuma aparecer em rankings e premiações que condecoram os melhores restaurantes do Rio. Uma baita injustiça.
Isso talvez ocorra porque a casa, fundada por espanhóis de Maiorca (daí seu nome), não investe em marketing. Zero divulgação. Não tem assessoria de imprensa, não contrata influencers e suas redes sociais são pouco movimentadas (até a semana passada, o último post no Instagram datava de 2025).
No caso da churrascaria, a fama se fez com divulgação espontânea baseada no que ela entrega: carnes na brasa à perfeição, acompanhamentos clássicos em porções fartas, fartíssimas, e sobremesas caprichadas.
Old school toda vida, a Majórica tem seu nome na entrada escrito em letra cursiva, decoração com motivos da Espanha e quadros antiguinhos (alguns tortos, mas só virginianos e alguém com TOC como eu repara nisso) e teto de madeira. E, importantíssimo, uma imensa churrasqueira a carvão, além de peças de carne e postas de bacalhau expostas no balcão, à escolha do comensal.
Dei uma conferida e pedi o triângulo de ponta de picanha angus (R$ 218). Poucos minutos depois vieram 500 gramas de uma carne braseada no sal grosso, que foi finamente fatiada à mesa. Sobre ela espalhei colheradas de um molho de salsinha na manteiga derretida que sempre me deixou muito satisfeita.
O molho saiu do cardápio, mas é gentilmente feito na hora a quem o solicitar, sem cobrança extra. Importante frisar que não se trata da manteiga de ervas que estamos acostumados a ver em alguns restaurantes, e sim de uma tigelinha com a manteiga derretida, fumegante e muita salsinha tostada.
Simples, saborosa e uma opção que deve ser levada fortemente em consideração como alternativa ao vinagrete (molho à campanha), também à disposição.
Acompanhamento-fetiche da Majórica, a batata pastel (R$ 41) de nome autoexplicativo nada mais é do que uma batata cortada à portuguesa, frita e “recheada” com ar. Eis a crocância e a maciez na mesma proporção, um verdadeiro tapa com luva de pelica nos restaurantes que insistem em servir a insípida e irritante batata congelada. As prussianas também são muito boas.

Batata pastel (R$ 41), batata cortada à portuguesa, frita e recheada com ar
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Cleo Guimarães/Folhapress
A verdade é que tudo é muito bom na Majórica. Da linguiça (R$ 12 cada), torradinha em alguns pontos por fora e úmida por dentro (pau a pau com a do Braseiro da Gávea), ao galeto inteiro, espalmado e bem temperado (R$ 51), a sensação é a de que estamos diante de pratos feitos por quem realmente entende do assunto. Não há espaço para amadores na cozinha e no salão.
O arroz de brócolis (R$ 45), uma obsessão do carioca, vem em quantidade impressionante, com folhas, talos e alho bem incorporados aos grãos. Dos melhores que há, e olha que nem sou fã. O arroz maluco (biro-biro) da mesa ao lado também parecia incrível e, na minha memória de frequentadora há alguns anos, ele fazia jus ao que prometia.
Chega o momento da sobremesa. Os clássicos, sempre eles, estão todos lá. Pudim de leite (R$ 15), goiabada com queijo (R$ 29), musse de chocolate (R$ 29), crema catalana (R$ 29) e banana frita com açúcar e canela (R$ 32) disputam a preferência com dois best-sellers: os profiteroles (R$ 48) e o creme de papaia com cassis (R$ 48).
Esse último me pega sempre, e encontrar um que seja homogêneo em sua cremosidade e com licor de qualidade (o francês Gabriel Boudier) é coisa rara. O da Majórica é assim.
Bem batido, sem a incômoda presença de um pedaço de mamão que não tenha se desfeito, nenhum cristal de gelo ou patacadas de sorvete.
Foi um final feliz em um restaurante agradável e hypado por méritos próprios desde os anos 1960 e que ressurgiu, literalmente, das cinzas após um incêndio que destruiu boa parte de suas instalações no início de 2012.
Autor: Folha









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