Diego Maradona passou seus últimos dias acamado, com muitos edemas e aparentemente resignado, relatou nesta quinta-feira (6) um massagista do astro do futebol argentino durante o julgamento sobre as circunstâncias de sua morte, ocorrida há mais de cinco anos.
Maradona morreu aos 60 anos, em 25 de novembro de 2020, durante uma internação domiciliar em Tigre, cidade próxima a Buenos Aires, após uma neurocirurgia.
Sete integrantes de sua equipe médica estão sendo julgados desde meados de abril em San Isidro, ao norte da capital argentina, por possíveis negligências que teriam contribuído para a morte.
Nicolás Taffarel, massagista de Maradona que o visitava quase diariamente, prestou depoimento na quinta-feira.
Maradona “não se levantava da cama, não queria comer, não queria tomar banho, não queria cuidar da higiene”, relatou.
“Estava inchado, com as pernas inchadas…”, recordou.
Taffarel afirmou ter alertado a equipe médica do craque na época sobre a necessidade de maior presença, de visitá-lo “todos os dias”, conforme consta em uma mensagem de áudio reproduzida durante a audiência.
“Eu relatava situações que observava nele e não via uma ação concreta nem uma solução rápida”, disse.
O massagista contou que, em 24 de novembro, véspera da morte do ídolo, sugeriu que ele se levantasse da cama para tomar mate. “Ele me disse: ‘Não quero nada, Taffita, chega’. Perguntei: ‘Chega do quê?’. E ele respondeu: ‘Nada, chega’.”
Na audiência desta quinta-feira, também depôs o enfermeiro Ricardo Almirón, réu no processo. Ele foi interrogado por seu advogado e não respondeu às perguntas das demais partes.
Almirón disse que, ao medir os sinais vitais do ídolo nas semanas anteriores, constatava uma “leve taquicardia”. Também afirmou que, em muitos dias, ele estava “sem apetite”.
O enfermeiro disse que, na noite anterior à morte do ídolo, mediu seus sinais vitais: “Fiz o controle com o oxímetro, ele estava com 98%, e medi a frequência cardíaca, que apresentava uma leve taquicardia”, afirmou.
Almirón contou que o viu ir ao banheiro por volta das duas da madrugada e que deixou a casa em 25 de novembro, às 6h30. “Antes, fui verificar discretamente, e ele descansava bem. Respirava de forma ritmada, com bons movimentos torácicos”, disse.
As horas que antecederam a morte de Maradona são alvo de controvérsia no julgamento. Uma perícia inicial indicou que ele morreu perto do meio-dia. Uma junta médica posterior apontou que há sinais compatíveis com uma agonia de várias horas, embora não haja consenso sobre quantas.
Além de Almirón, outros seis profissionais de saúde são julgados por homicídio com dolo eventual, figura jurídica que implica que eles tinham consciência de que suas ações ou omissões poderiam provocar a morte de Maradona. Todos se declaram inocentes.
Na terça-feira, o médico Carlos Cassinelli, que participou da inspeção da casa de Maradona e realizou a autópsia, prestará depoimento. O julgamento pode se estender para além de agosto.
Autor: Folha








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