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Mercado prevê estagflação em 2027 e cenário econômico similar ao governo Dilma

Grandes bancos e consultorias revisaram suas projeções e indicam que a economia brasileira pode enfrentar um cenário de estagflação em 2027. O alerta ocorre diante de incertezas fiscais e do endividamento elevado, levando instituições como o Itaú BBA a preverem inflação alta combinada com crescimento quase nulo do PIB, em um quadro que remete à crise vivida pelo país entre os anos de 2015 e 2016.

O que significa o termo estagflação e por que ele preocupa?

A estagflação é um fenômeno econômico difícil de resolver porque mistura dois problemas opostos: a estagnação (o país não cresce e o PIB fica parado) e a inflação (os preços sobem rápido). No cenário previsto para 2027, o Itaú BBA estima que o PIB crescerá apenas 0,5%, enquanto a inflação chegará a 6,1%, estourando o teto da meta. É uma situação perigosa pois o remédio para a inflação, que é subir os juros, acaba dificultando ainda mais o crescimento econômico e o consumo das famílias, gerando um ciclo de empobrecimento e risco real de recessão para o próximo ano.

Quais são as principais semelhanças entre o cenário atual e a era Dilma?

Especialistas apontam que os indicadores atuais, como o crescimento baixo e a inflação resiliente, guardam paralelos com a deterioração econômica ocorrida no final de 2014. Naquela época, o país entrou em uma das piores recessões de sua história. A diferença principal é que o problema de dez anos atrás nasceu de uma forte intervenção do Estado na economia. Hoje, a vulnerabilidade é agravada por uma situação fiscal mais delicada, com dívida pública maior e juros mais elevados, somados ao alto endividamento das empresas e das famílias, que têm menos dinheiro para gastar.

Como o governo federal tem reagido a esses alertas do mercado?

Apesar da pressão dos investidores e da queda expressiva na Bolsa de Valores, o governo ainda não apresentou medidas concretas de ajuste nas contas públicas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou após reuniões recentes que o foco ainda é o levantamento de cenários, sem discussões diretas sobre cortes de gastos. Há uma apreensão no mercado sobre quem comandará a equipe econômica no futuro e se haverá resistência política para alterar a trajetória das despesas obrigatórias, que hoje consomem quase todo o Orçamento da União, deixando pouco espaço para investimentos.