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Meu pai divorciado ainda procura família da minha mãe – 05/09/2026 – Equilíbrio

A atitude de um pai divorciado há décadas de continuar presente na vida da família da ex-mulher é motivo de constrangimento para seu filho de meia-idade.

Pergunta: “Meus pais se divorciaram há 40 anos, quando eu tinha 8. Minha mãe morreu há 25 anos, e meu pai ainda parece não entender que, desde o divórcio, tenho duas famílias distintas: a da minha mãe e a dele. Quando o irmão da minha mãe e a esposa dele me convidaram para uma viagem de fim de semana, por exemplo, meu pai ficou ofendido por não ter sido incluído”, diz.

“Tive de me sentar com ele e explicar como as coisas funcionam em famílias divorciadas: os parentes da minha mãe podem não odiá-lo, mas tampouco esperam conviver com ele. Foi muito difícil para mim explicar isso ao meu pai. Agora, anos depois, ele vai visitar a cidade onde meus tios moram e os convidou para almoçar. Então, contive um gemido, procurei meu tio e disse que ele não deveria se sentir obrigado a encontrar meu pai por minha causa. Fiz bem em intervir?”, questiona.

Resposta: Muitas crianças crescem em lares que, de alguma forma, são instáveis. Isso pode incluir o divórcio dos pais, como no seu caso, ou alguma outra forma de instabilidade emocional ou material. É natural que as crianças sintam ansiedade, raiva ou tristeza diante dessas circunstâncias.

E parece que você ainda lida com seus sentimentos tentando controlar as pessoas ao seu redor para evitar mais instabilidade, assim como eu fazia. Mas, por mais que eu me identifique com você, nunca foi sua responsabilidade administrar os adultos —e ainda não é.

Se seu pai ficou decepcionado por não ter sido convidado para uma viagem de fim de semana, deixe que ele sinta o que tem de sentir. Não cabe a você amenizar esses sentimentos, muito menos explicar como funciona o divórcio a um homem divorciado há 40 anos.

A propósito, conheço muitos ex-parentes por afinidade que continuam amigos e convivendo socialmente; afinal, foram parentes por casamento durante anos. Da mesma forma, não havia necessidade de agir pelas costas de seu pai e intervir junto a seu tio por causa do convite para o almoço: todos aqui são adultos e têm liberdade para aceitar ou recusar convites.

Imagino que meu conselho possa parecer contrário à sua intuição, caso você tenha assumido como tarefa administrar suas duas famílias separadas. Mas acredito que, se parasse de tentar controlar seu pai, você poderia achar isso incrivelmente libertador. Não há benefício algum em tentar administrar situações que não representam risco para você. A esta altura, isso é apenas um mau hábito.

Reserve uma hora para o sanduíche

Pergunta: “Minha esposa e eu nos sentamos em uma lanchonete quase vazia hoje de manhã. O garçom anotou prontamente nosso pedido: dois sanduíches B.L.T. Quarenta e cinco minutos depois, após perguntarmos educadamente duas vezes sobre a demora, nossa comida chegou”, diz.

“O garçom pediu desculpas, mas não demonstrou a menor empatia. Disse que não tinha controle sobre a cozinha e que não precisaríamos pagar pela refeição. Minha esposa não queria deixar gorjeta, mas discordei e deixei US$ 20. O que você acha?”, pergunta.

Resposta: Na maioria dos restaurantes, há uma divisão de tarefas. Depois que o garçom anota o pedido e o entrega à cozinha, ele não participa do preparo dos sanduíches.

Pelo que parece, o cozinheiro estava desaparecido ou ocupado com outra coisa durante 45 minutos, o que é lamentável, mas não era um problema que o garçom pudesse resolver. Para mim, uma demonstração teatral de aflição por parte dele não teria melhorado a situação.

E, no fim, a refeição saiu por conta da casa. Não foi o ideal, mas provavelmente era o melhor que o garçom poderia fazer por vocês.

Quanto tempo, quanta folga!

Pergunta: Tenho a sorte de possuir uma bela segunda casa à beira de um lago. Nunca tive filhos, por isso adoro reunir parentes e amigos para aproveitar a casa. Mas fico chateado quando pessoas que não mantêm contato comigo pedem para se hospedar lá”, afirma.

“Algumas nem sequer tentam marcar as visitas para quando eu estiver presente! Não me custaria nada deixar essas pessoas usarem a casa na minha ausência, mas receber esses pedidos parte meu coração. Estou sendo mesquinho ao recusá-los?”, pergunta.

Resposta: “Não” é uma resposta completa e, muitas vezes, a resposta certa. Neste caso, a resposta à sua pergunta específica é bastante clara: você não precisa de motivo algum para negar às pessoas o uso gratuito de sua casa no lago. Você não administra um hotel.

Mas eu também recomendaria que não se deixasse dominar pela mágoa ou pelo ressentimento por causa de um único pedido egoísta. Todos nós cometemos erros.

Diga: “Esse não é um momento conveniente para uma visita. Mas vamos tentar colocar a conversa em dia depois de tantos anos!”. Raramente é errado dar a velhos amigos o benefício da dúvida.

A titia está de olho em você

Pergunta: “Meu sobrinho gentilmente concordou em cuidar da casa para mim e meu companheiro, além de tomar conta do nosso velho labrador. Mantemos várias câmeras espalhadas pela casa: no quintal, na sala de estar e no lugar onde o cachorro dorme”, diz.

“Meu sobrinho não se sente à vontade com as câmeras ligadas quando está na casa, mas não se importa em ligá-las quando sai. É errado insistir para que permaneçam ligadas?”, pergunta.

Resposta: Aqui sou do time do sobrinho! Seu parente está fazendo um favor a vocês e não merece ser vigiado 24 horas por dia, sete dias por semana.

A solução intermediária que ele propôs —ligar as câmeras quando sair— me parece razoável. Se isso não servir para vocês, publiquem um anúncio procurando um cuidador de cães com tendências exibicionistas.

*Philip Galanes

É colaborador do jornal The New York Times e oferece conselhos aos leitores sobre dilemas sociais na coluna semanal ‘Social Q’s’.

Autor: Folha

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