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Michelin: como é comer nos três estrelas Tuju e Evvai – 14/04/2026 – Restaurantes


São Paulo


Antes de tudo, é preciso ter cacife. No Evvai, restaurante do chef Luiz Filipe Souza, o menu-degustação exige o desembolso de R$ 1.250 por cabeça. Se a sequência for harmonizada, o cliente paga de R$ 357 a R$ 2.259 a mais, dependendo do percurso escolhido. Quando se soma a taxa de serviço de 15%, a despesa individual parte de R$ 1.848 e pode chegar a R$ 4.035.

Valor ainda maior, R$ 1.500 por pessoa, é cobrado pelo menu-degustação do Tuju, do chef Ivan Ralston. Quem optar pela harmonização paga mais R$ 2.100 pelos vinhos clássicos, R$ 950 pela seleção de descobertas ou R$ 550 pela sequência de criações autorais não-alcoólicas. Com os mesmos 15% de taxa de serviço, o jantar pode custar de R$ 2.357 a R$ 4.140.

Três pratos hexagonais brancos exibem sobremesas delicadas: uma com camada translúcida e peixe, outra vermelha com pétalas brancas, e uma terceira com folhas verdes e flores pequenas.

Prato do Tuju, único restaurante três estrelas Michelin da América Latina ao lado do Evvai


Divulgação

Tão importante quanto o saldo bancário é ter mente aberta para experimentações gustativas. Falamos de profissionais que têm a ousadia como marca registrada e moldaram seus restaurantes como espaços onde nada é trivial.

A chegada ao Tuju, um imóvel de três andares escondido no fundo de uma rua sem saída do Jardim Paulistano, que só abre as portas à noite, é o início da experiência.

Após atravessar um longo corredor, chega-se ao pátio interno, onde uma imensa jabuticabeira carcada por jardins verticais divide a atenção com o bar comandado por Rachel Louise. Envidraçada, a adega que guarda 2.000 vinhos é pontuada por raridades.

Um lance de escada (ou de elevador) leva ao salão integrado à cozinha aberta, onde Ralston e sua brigada adotam o silêncio como linguagem e dão forma a pratos que, servidos em sequência, contam histórias.

Chef de cabelo cacheado veste uniforme branco e está apoiado em bancada de cozinha profissional com panelas, tigelas e utensílios. Ao fundo, duas pessoas trabalham em ambiente com iluminação baixa.

Chef Ivan Ralston, que comanda a cozinha do Tuju


Kato78/Divulgação

As quatro temporadas anuais, Umidade, Chuva, Ventania e Seca, são pautadas pelos ciclos naturais na região Sudeste e o índice pluviométrico no estado de São Paulo. Portanto, não têm datas fixas para começar ou terminar. São os ingredientes da época que impõem o ritmo. No momento, a sequência Chuva está em vigor —cordeiro, tomate e manga são protagonistas.

As sequências reúnem quatro entradas, quatro principais e duas sobremesas, mas nada impede que o cliente seja surpreendido por uma etapa extra. Acontece quando o chef se sente inspirado por um ingrediente especialmente bom naquele dia.

Boa parte dos produtos chega às mãos do chef através do Centro de Pesquisa e Criatividade Tuju, capitaneado por sua mulher e sócia, Katherina Cordás. Suas expedições já passaram por territórios tão diversos quanto o litoral paulista, a Serra da Bocaina e as fazendas de gado do miolo do Brasil.

São duas as harmonizações de vinhos, ambas com dez rótulos, sobretudo franceses, entre tesouros garimpados pelos sommeliers Tiago Menezes e Thiago Frencl e servidos em taças da austríaca Zalto, uma das mais cobiçadas pelos enófilos.

O próprio Ivan Ralston resume a proposta da casa: “Criar algo que o comensal pense: eu só poderia comer isso aqui, em nenhum outro lugar do mundo”.

A experiência se encerra no terceiro andar do imóvel, terraço coberto onde o café é servido na companhia dos bombons de chocolate brasileiro da marca Mission.

No ambiente classudo do Evvai, o chef Luiz Filipe Souza conduz o concerto e, há nove anos, estrutura seu trabalho sobre o conceito oriundi: ingredientes brasileiros, inclusive os mais corriqueiros, como mandioca, quiabo e pepino, em interpretações autorais que reverenciam técnicas e receitas dos imigrantes italianos.

Iguarias não ficam de fora –vieiras, ostras, camarões carabineiros e o atum bluefin, o mais caro do mundo, estrelam o novo menu-degustação Oriundi OR 2026.1, que acaba de entrar em vigor.

Em quatro movimentos, Despertar, Exploração, Profundidade e Epílogo, o chef apresenta criações que chegam à mesa traduzidos por textos e ilustrações que ele mesmo faz.

Os preparos são descritos de forma poética. Diz o chef sobre a bruschetta de atum: “A característica torrada cede lugar a um merengue salgado, obtido da proteína do ovo e de um profundo caldo de algas, criando uma base de crocância etérea e umami prolongado”.

O sommelier Marcelo Fonseca assina as harmonizações, disponíveis em quatro formatos. Cabem à chef confeiteira Bianca Mirabili, que começou na casa como estagiária, as etapas doces. Ingredientes brasileiros, sobretudo frutas, meles de abelhas nativas e raízes, são a base de suas sobremesas.

Uma das invenções de Mirabili para o menu atual mudou a cara do creme de papaia com cassis, hit retrô das churrascarias. A fruta, em forma de marshmallow, sorvete e tuille, é servida com folhas de shissô e calda de licor de cassis perfumada pela baunilha do cerrado, em apresentação digna de três estrelas.

Mulher jovem vestindo uniforme branco de chef sentada em sofá cinza em ambiente interno. Ao fundo, quadro grande com textura marrom e linhas azuis, parede azul escura e mesa redonda pequena ao lado.

Confeiteira Bianca Mirabili, responsável pelas sobremesas do Evvai


Juliana Primon/Divulgação

Evvai

R. Joaquim Antunes, 108, Pinheirosm região oeste, tel (11) 3062-1160. @evvai_sp

Tuju

R. Frei Galvão, 135, Jardim Paulistano, região oeste. tel. (11) 91899-0002. @tuju_sp

Autor: Folha

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