
O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou nesta quarta-feira (21) o primeiro-ministro socialista da Espanha, Pedro Sánchez, de “ditador impresentável” e defendeu a saída dos socialistas do poder no país europeu. As declarações de Milei foram feitas durante discurso num evento em Madri, a pouco mais de um mês das eleições gerais espanholas, marcadas para ocorrer no dia 29 de novembro. Sánchez é aliado do presidente Lula (PT) e declarou apoio à sua reeleição no Brasil na semana passada. Milei também já chamou Lula de ditador.
O evento onde Milei fez a declaração foi um encontro promovido pela organização Nueva Economía Fórum, no Casino de Madrid. Além da fala sobre Sánchez, o presidente argentino também criticou o socialismo e responsabilizou governos de esquerda pela crise econômica que levou milhares de argentinos a deixar seu país.
“Nos últimos anos, a Espanha soube acolher centenas de milhares de argentinos que fugiram da miséria e da falta de futuro, frutos do sinistro socialismo do século XXI e de sua filial argentina, que é o kirchnerismo, e que vocês sofrem regularmente com o ditador impresentável Pedro Sánchez”, afirmou o presidente argentino.
Durante o discurso, Milei também defendeu que os espanhóis retirem os socialistas do governo nas próximas eleições. “É uma dívida de honra que vocês têm com o próprio sangue: tirar os socialistas a pontapés”, declarou. O argentino afirmou ainda que o país europeu precisa recuperar os princípios liberais que, segundo ele, contribuíram para sua formação política e econômica.
As críticas ocorreram uma semana depois de Sánchez declarar apoio público à candidatura de Lula na disputa presidencial brasileira. Em uma publicação nas redes sociais, no último dia 14, o primeiro-ministro espanhol afirmou que o petista representa um Brasil que combate as desigualdades e defende a democracia.
“Esse Brasil merece continuar avançando rumo a um futuro de esperança e progresso. Por isso, todo o nosso apoio a Lula”, escreveu Sánchez. O segundo turno da eleição brasileira, entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), está marcado para ocorrer neste domingo (25).
Durante um evento em Washington, nos Estados Unidos, na semana passada, Milei também chamou Lula de “ditador comunista” e declarou apoio à candidatura de Flávio.
A visita de Milei à Espanha provocou uma reação do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), liderado por Sánchez. A legenda instalou uma faixa na fachada de sua sede em Madri com uma mensagem dirigida ao presidente argentino: “Olá, Milei. Os esquerdistas dão as boas-vindas à Espanha. O país que mais cresce na Europa”.
O Ministério das Relações Exteriores espanhol condenou as declarações de Milei sobre o premiê. Em comunicado, o órgão classificou as falas como “insultos e calúnias” contra Sánchez e acusou Milei de “incentivar a violência e interferir na política interna do país”.
Durante a passagem por Madri, Milei manifestou apoio a lideranças da direita espanhola, como Santiago Abascal, do Vox, e Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madri e integrante do Partido Popular, de centro-direita. O argentino afirmou que os dois defendem propostas capazes de mudar os rumos da Espanha. Vox e PP tem liderado pesquisas eleitorais na Espanha.
Autor: Gazeta do Povo








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