Nos dias que antecediam a menstruação de Lauren Herrod, a névoa mental, a fadiga e a depressão tornavam tarefas simples —como preparar o almoço da filha pequena ou ir à academia— algo impossível, “como tentar viver e se mover através de cimento”. No mês passado, ela recebeu o diagnóstico de transtorno disfórico pré-menstrual, ou TDPM, uma forma debilitante de síndrome pré-menstrual.
Acontece que, recentemente, no primeiro dia de uma fase lútea, ela se sentiu lúcida e energizada de uma forma que não sentia antes. Foi “como se alguém tivesse apertado um botão”, diz ela. O que havia mudado? Ela tinha tomado dois medicamentos: Allegra e Pepcid AC.
Herrod, 31, é uma das muitas pessoas que dizem nas redes sociais que tomar dois anti-histamínicos —geralmente Pepcid AC com Allegra ou Zyrtec— aliviou sintomas associados a condições de saúde como TDPM, perimenopausa e menopausa.
Algumas dessas mulheres afirmam ter tido dificuldade em fazer com que os médicos levassem seus sintomas a sério. De acordo com Tracy Shevell, ginecologista e obstetra em Nova York, as pessoas que estão tomando essa combinação de medicamentos estão “desesperadamente” em busca de uma melhor qualidade de vida.
Especialistas fazem alertas sobre o uso, sem orientação médica, de anti-histamínicos no longo prazo, mas reconhecem que o alívio que algumas pessoas estão sentindo com esses medicamentos é real.
O que são anti-histamínicos?
Anti-histamínicos são medicamentos usados para aliviar reações alérgicas leves que ocorrem quando células imunológicas liberam uma substância química inflamatória chamada histamina.
Os mais comuns, incluindo Allegra, Zyrtec e Claritin, são conhecidos como anti-histamínicos H1 porque têm como alvo os receptores de histamina H1 encontrados em células de todo o corpo.
Pepcid AC é um anti-histamínico H2. Usado principalmente para tratar problemas digestivos, o medicamento contém famotidina, que bloqueia os receptores de histamina no estômago e previne temporariamente a produção de mais ácido estomacal.
Por que esses medicamentos podem aliviar a TDPM?
A histamina está intimamente ligada a hormônios sexuais femininos, como o estrogênio, diz Melinda Ring, que lidera o Centro Osher de Saúde Integrativa na Universidade Northwestern.
Os mastócitos —células imunológicas que desencadeiam reações alérgicas— têm receptores para estrogênio. Quando o estrogênio se liga a essas células, pode fazer com que liberem substâncias químicas inflamatórias como a histamina.
A liberação de histamina pode, por sua vez, estimular os ovários a produzir mais estrogênio. “É um ciclo”, diz ela.
Na perimenopausa, o estrogênio oscila drasticamente, acrescenta Ring. Ao mesmo tempo, a progesterona, um hormônio que age como agente calmante para a histamina, diminui. “A teoria que está impulsionando essa tendência [nas redes sociais] é que esses picos imprevisíveis de estrogênio poderiam desencadear isso”, diz ela.
A histamina causa inflamação, o que pode piorar a dor e as cólicas, afirma Taz Bhatia, médica integrativa que trata questões de saúde feminina em Atlanta.
Para algumas pessoas, tomar anti-histamínicos poderia aliviar temporariamente os sintomas, diz Bhatia.
Mas a histamina também pode causar névoa mental, um sintoma-chave do TDPM e da menopausa, ela afirma. É possível, então, que reduzir os níveis de histamina por todo o corpo possa proporcionar algum alívio.
Esses medicamentos podem ajudar temporariamente, mas não conseguem tratar a causa raiz dos sintomas, que podem incluir níveis hormonais flutuantes ou até alergias, dizem especialistas.
O que a pesquisa mostra?
Não há ensaios clínicos sobre o uso de anti-histamínicos para nenhuma dessas condições. Embora haja razão para acreditar que os medicamentos possam ser benéficos, especialistas dizem que também é possível que pessoas que relatam melhora em seus sintomas possam estar experimentando um efeito placebo.
Outros tratamentos foram clinicamente comprovados para ajudar com essas condições. Em ensaios clínicos randomizados controlados, pessoas que tomaram diariamente medicamentos antidepressivos conhecidos como ISRSs (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), nas duas semanas antes da menstruação ou no início do ciclo tiveram redução dos sintomas de TDPM. E a terapia hormonal demonstrou melhorar sintomas da perimenopausa e menopausa como ondas de calor e névoa mental.
Algumas pessoas nas redes sociais também discutiram o uso de suplementos como quercetina, que age como um anti-histamínico natural, e de vitamina C, que demonstrou ter propriedades anti-inflamatórias. Mas nenhum desses foi testado clinicamente para essas condições.
É seguro tomar anti-histamínicos?
“Anti-histamínicos por si só não são ruins”, diz Bhatia. Mas usá-los a longo prazo traz riscos.
O uso excessivo de anti-histamínicos H1 pode ressecar a boca e as passagens nasais, afirma Bhatia, aumentando potencialmente o risco de infecções sinusais. “Você está secando o muco, em vez de deixar as coisas drenarem naturalmente.”
Pesquisas recentes também descobriram que o uso frequente de alguns anti-histamínicos H1, como o Benadryl, aumenta o risco de demência, diz Shevell.
Anti-histamínicos H2 reduzem a produção de ácido estomacal, que o corpo precisa para absorver nutrientes essenciais como vitamina B12, ferro, zinco e cálcio dos alimentos. As mulheres já podem ter dificuldade em obter o suficiente desses nutrientes à medida que envelhecem, porque os níveis de ácido no estômago diminuem, diz Ring.
Bhatia diz que qualquer pessoa preocupada com seus sintomas deveria conversar com um médico. Mas acrescenta que também é importante confiar na sua própria avaliação de como você está se sentindo.
Autor: Folha








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