
Estava lendo um desses livros apocalípticos e pessimistas, de um desses autores que se acham capazes de fazer o diagnóstico definitivo do mundo. E repare que nunca é uma gripezinha ou um solução. Pelo contrário, é sempre um câncer ou coisa pior o que está consumindo a Civilização Ocidental. O livro citava outro autor do mesmo tipo, que citava outro e outro. Até que, no emaranhado de citações, lá estava Simone Weil dizendo que o próprio conceito de grandeza tinha que ser revisto.
Mais fácil falar do que fazer, né, dona Simone? Mas ela tem razão. Olhe à sua volta. Nem precisa ir muito longe. Aqui mesmo, nas notícias da Gazeta do Povo. Repare em tudo e em todos que são considerados grandes, importantes e históricos. Nos eventos, nas pessoas, nas palavras e nos gestos. E você perceberá que toda notoriedade se baseia numa ideia deformada de sucesso. Porque é a isto que reduzimos o que antes entendíamos por grandeza: sucesso.
Pobre e humilde
Sucesso no sentido de popularidade, sim. Mas principalmente no sentido de riqueza. De acesso fácil aos bens materiais. O sucesso é hoje a medida de todas as coisas e por isso o buscamos nos mais variados níveis: likes, views, retuítes, likes, mais likes, aplausos, elogios, prêmios e, claro, monetização. Não nos passa pela cabeça a possibilidade de existir algo grandioso, mas que não faça sucesso. E no entanto.
E no entanto ainda há poetas. Cada vez mais me parece que o oposto disso é que é verdadeiro. Ou seja, só aquilo que não se submete cega e estupidamente à lógica do sucesso é verdadeiramente grandioso. Só o que é essencialmente pobre e humilde, o que não conhece a ambição, não se deixa levar pela competição nem instrumentaliza o outro em benefício próprio é verdadeiramente santo. Outro nome, aliás, para o conceito divino de grandiosidade que Simone Weil quer recuperar.
Autor: Gazeta do Povo








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