quinta-feira, setembro 10, 2026
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O que Paulo Francis diria sobre o STF e o Brasil de hoje?

O Brasil continua o mesmo asilo de lunáticos em que os pacientes assumiram o comando. Desta vez o palco é o Supremo Tribunal Federal (STF), aquela corte que se imagina oráculo da República e não passa de um clube de vaidosos – e corruptos – com toga. Alexandre de Moraes, Mendonça, Toffoli, Dino e o resto da turma se digladiam em público por causa de um banqueiro preso, Daniel Vorcaro, e de mensagens que cheiram a favorecimento, para dizer o mínimo. Quem diria que o templo da constitucionalidade viraria novela das oito, com troca de acusações, afastamento de delegados da PF e ministros se vigiando uns aos outros como se fossem capangas de sindicato.

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O escândalo do Banco Master é apenas o capítulo mais recente de uma história que o país já conhece de cor: elites que se protegem mutuamente até o momento em que o barco começa a afundar. Contratos milionários com o escritório da mulher do ministro do STF, clube do uísque, gratidão expressa por WhatsApp, consultoria a bandido com pedidos como: “devo sair do país?”. Nada disso surpreende quem já viu o Brasil funcionar. Surpreende apenas a desfaçatez com que esses senhores, depois de anos exercendo poder quase monárquico – bloqueando redes, prendendo, julgando e legislando ao mesmo tempo –, agora se acusam de abuso de autoridade. É a hora em que o ladrão grita “pega ladrão”.

Enquanto isso o país se prepara para mais uma eleição presidencial em que Lula e o herdeiro de Bolsonaro aparecem empatados nas pesquisas. Os dois lados usam o STF como arma. Um lado grita “golpe”, o outro grita “perseguição” – este com embasamento. O tribunal, que deveria ser o último reduto de alguma decência institucional, transformou-se em peça central da campanha. Fachin tenta apagar o incêndio convocando plenário e assumindo inquérito, Dino reintegra quem Mendonça afastou, Moraes pede investigação contra o colega. É a metástase de um poder que há tempo deixou de se contentar em julgar e passou a governar.