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O que se sabe sobre os terremotos que atingiram a Venezuela

A Venezuela foi atingida nesta quarta-feira (24) por uma sequência de dois fortes terremotos no norte do país, a 197 quilômetros de Caracas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O principal tremor teve magnitude 7,5 e ocorreu 39 segundos depois de um primeiro abalo de magnitude 7,2.

Pânico e danos em Caracas

O terremoto causou pânico em Caracas, onde moradores deixaram prédios às pressas e permaneceram nas ruas após o tremor. Imagens divulgadas por agências internacionais mostraram equipes de emergência trabalhando em áreas com diversos edifícios danificados.

O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou que o terremoto foi sentido em vários estados do país. O portal venezuelano Efecto Cocuyo informou que moradores relataram danos em edifícios nos bairros de Los Palos Grandes, Altamira e San Bernardino, todos localizados na capital venezuelana. Houve também relatos de cortes de energia e de internet em partes do país.

Ainda não há balanço oficial de vítimas

Até o momento, as autoridades venezuelanas não divulgaram um balanço oficial de mortos ou feridos em decorrência dos terremotos.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu alerta vermelho em seu sistema PAGER, indicando que há probabilidade de vítimas numerosas e danos extensos, com potencial para um desastre de grande escala. O órgão também estimou que as perdas econômicas podem variar entre 1% e 5% do PIB da Venezuela.

Alerta de tsunami no Caribe

O terremoto levou à emissão de alertas de tsunami para áreas do Caribe. O Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos chegou a emitir avisos para Porto Rico e Ilhas Virgens Americanas. Também houve preocupação com ondas perigosas em ilhas próximas à costa venezuelana, como Aruba, Curaçao e Bonaire. Os alertas foram posteriormente revogados.

Tremor também foi sentido fora da Venezuela

O tremor foi sentido fora da Venezuela. Moradores da Colômbia relataram os abalos, e pessoas chegaram a deixar prédios em Bogotá por precaução. No Brasil, houve relatos de tremores em Manaus (AM), Belém (PA), Roraima e Amapá.

Por que o terremoto foi tão forte

De acordo com o USGS, o terremoto ocorreu em uma região de contato entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. O órgão informou que o movimento foi compatível com uma falha do tipo transcorrente, ligada ao sistema de falhas de Boconó, uma das principais estruturas geológicas do norte venezuelano.

Por ter ocorrido a apenas 10 quilômetros de profundidade, o tremor é considerado “superficial”. Esse tipo de abalo costuma ter maior potencial de causar danos em áreas próximas ao epicentro.

Risco de novas réplicas

Segundo a previsão do USGS, há possibilidade de novos tremores fortes nos próximos dias. O órgão estimou chance de 43% de ocorrer ao menos uma réplica de terremoto de magnitude 6 ou maior nas semana seguintes a este terremoto principal, além de 98% de chance de uma réplica de magnitude 5 ou maior.

Histórico de terremotos na Venezuela

O norte da Venezuela tem histórico de grandes terremotos. Segundo o USGS, a região registrou cinco terremotos de magnitude 7 ou superior desde 1900.

O mais devastador na área próxima foi o terremoto de Caracas de 1967, de magnitude 6,6, que deixou cerca de 240 mortos, centenas de feridos e provocou o colapso de vários edifícios residenciais.

Reações

A líder opositora venezuelana María Corina Machado manifestou solidariedade aos afetados pelos terremotos. Ela afirmou que suas orações estão com “cada lar venezuelano” nestas “horas de angústia” e escreveu que o país deve permanecer “mais unido do que nunca”.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, também se solidarizou com a Venezuela após os terremotos. Bukele afirmou que seu coração está com o povo venezuelano “nestes momentos difíceis” e enviou “solidariedade” e “orações” aos afetados.

A líder da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que diversos países ofereceram apoio após os terremotos e, em seguida, agradeceu aos Estados Unidos e a outras nações pela solidariedade. Ela citou Panamá, Catar, Cuba, Nicarágua, Turquia, Jordânia, Barbados, Curaçao, Colômbia, Reino Unido, Brasil e México entre os países que se comunicaram com Caracas para oferecer ajuda.

Delcy também agradeceu às Nações Unidas e outras organizações, que teriam entrado em contato com o regime venezuelano. A Embaixada dos Estados Unidos em Caracas afirmou nas redes sociais que acompanha “de perto” as consequências dos terremotos e recomendou que a população evite áreas afetadas, não entre em prédios danificados e busque abrigo seguro.

A líder chavista declarou estado de emergência após os terremotos e informou que houve danos em várias áreas de Caracas, além de registros de destruição nos estados de Miranda, La Guaira, Aragua, Carabobo e Falcón. Ela também determinou a suspensão das aulas e das atividades laborais não essenciais pelo restante da semana.

O líder opositor Edmundo González Urrutia afirmou que a Venezuela precisará de apoio internacional para enfrentar as consequências dos terremotos. Em publicação no X, ele disse que o país não tem a capacidade de resposta que “Venezuela merece” e afirmou que equipes de resgate, sistema de saúde e infraestrutura de comunicações chegam à tragédia “destruídos”.

VEJA TAMBÉM:

  • Terremotos na Venezuela são sentidos no Brasil e na Colômbia

  • venezuela terremoto

    Dois fortes terremotos atingem a Venezuela e causam pânico em Caracas

Autor: Gazeta do Povo

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