Crianças com menos de 10 anos não devem tomar medicamentos contra a obesidade, injeções para perda de peso nem ser submetidas a cirurgias bariátricas, segundo diretrizes inéditas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A OMS recomenda para essa faixa etária alimentação saudável, atividade física e acompanhamento comportamental. Essas orientações estão no primeiro guia de enfrentamento à obesidade em crianças e adolescentes, divulgado nesta quarta-feira (7).
Segundo as novas diretrizes, algumas tecnologias digitais podem ser úteis, como monitoramento da atividade física e jogos online que incentivem as crianças a se movimentar mais e praticar exercícios.
“A base do tratamento da obesidade em crianças e adolescentes não é o medicamento nem a cirurgia, mas o acesso a um apoio abrangente que permita alimentação saudável, atividade física e mudanças sustentáveis de comportamento”, disse Luz María De Regil, diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS.
Segundo a especialista, não há evidências suficientes sobre os medicamentos da classe GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic, para essa faixa etária.
A organização afirma que medicamentos para perda de peso podem ser considerados para crianças e adolescentes de 10 a 19 anos com obesidade, mas apenas após intervenções supervisionadas que não tenham surtido efeito. A cirurgia bariátrica também pode ser considerada para adolescentes com maturidade física e mental que apresentem obesidade grave, após seis meses de tratamento sem sucesso.
A OMS também ressalta a importância de cuidar da saúde mental durante o tratamento da obesidade. Ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades de regulação emocional podem contribuir para hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e isolamento social. Esse ciclo se retroalimenta, e crianças e adolescentes com obesidade podem sofrer estigma e bullying, que prejudicam seu bem-estar emocional.
Obesidade infantil em alta
Segundo dados do Unicef, a obesidade superou o baixo peso como o problema mais comum de nutrição entre crianças em idade escolar e adolescentes em todo o mundo.
Em 2024, 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade, incluindo 70 milhões de crianças de 5 a 9 anos e 100 milhões de adolescentes de 10 a 19 anos. A incidência da obesidade nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%.
No Brasil, 15,9% dos menores de 5 anos e 31,7% das crianças entre 5 e 9 anos apresentavam excesso de peso, segundo dados do Ministério da Saúde de 2020, baseados no universo de crianças acompanhadas pelo SUS.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso de canetas emagrecedoras em crianças e adolescentes a partir de 10 anos, apenas para o tratamento de diabetes tipo 2, com proibição de uso estético.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta sobre o uso sem indicação e sem acompanhamento médico desses medicamentos, que pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos, como déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula.
“O uso com finalidade estética também pode servir de gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal”, alertou a entidade.
Com Reuters e Agência Brasil
Autor: Folha








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