A cidade brasileira de Arapongas (PR) está sofrendo os impactos da alta no preço do petróleo ocasionada pela guerra entre Irã e Estados Unidos. A cidade detém o título de capital moveleira nacional desde 2023. Segundo o Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), o município é responsável por 10 de cada 100 móveis produzidos no Brasil.
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O município conta com mais de 380 indústrias no setor moveleiro, que empregam mais de 12 mil trabalhadores. Ainda conforme o Sima, o faturamento é superior a R$ 5 bilhões anuais. A indústria na região exporta cerca de 12% da produção, para mais de 40 países.
Na análise do presidente do Sima e da indústria Colibri Móveis, e José Lopes Aquino, o setor vive momentos de incertezas diante de desafios internos da economia. Juros altos, escassez de mão-de-obra qualificada, aliados ao retorno da inflação, geram a queda no poder de compra.
“Como agravante, temos as consequências externas trazidas pelo conflito entre Irã e Israel com EUA, causando desequilíbrio no preço do petróleo, gerando elevação dos custos logísticos e desabastecimento. Neste momento estamos com elevação de custos de matérias-primas e de fretes nacionais e internacionais”, afirma Aquino.
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O presidente aponta que a elevação do preço do petróleo vai resultar em queda nas vendas. “A elevação dos custos consequentemente levará à elevação dos preços de vendas, o que afetará o volume de vendas de nossas empresas”, analisa Aquino. No início do ano, a expectativa do setor era de 6% de alta nas vendas, especialmente no mercado nacional.
Os estudos iniciados pelo sindicato do segmento demostram uma elevação de preços ao consumidor dos produtos próximos a 10%. “Através da elevação do preço do petróleo, toda a cadeia produtiva é afetada. Muito de nossas matérias-primas tem em seu componente resinas que são derivadas do petróleo”, explica o presidente do sindicato.
Em 2025, segundo o Brasil Móveis – Relatório Setorial da Indústria de Móveis no Brasil, disponibilizado pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), havia 22.843 empresas ativas no setor no país, que produziram 434,7 milhões de peças, faturamento de R$ 92,1 bilhões e 287,2 mil empregos gerados e US$ 769,3 milhões em exportação.
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Aquino ressalta que o setor moveleiro é resiliente e busca se reinventar diante das dificuldades. “Buscar eficiência nos processos internos para melhorar a produtividade é um caminho, mas também trabalhar o desenvolvimento de novos produtos e serviços que caibam no bolso do consumidor deve estar na pauta neste momento”, relata.
Para o especialista, no curto prazo a reação deve ser de buscar o equilíbrio entre oferta e demanda para que as margens não sejam aviltadas em demasia, visto que os agravantes da guerra devem perdurar até o final do ano, mesmo que haja uma solução do conflito nos próximos 30 dias.
“Para o longo prazo o investimento em novas tecnologias, melhorias de processos e produtos e a ampliação da base de clientes nacionais e internacionais devem ser o caminho que norteará nossas empresas. O design será sempre um diferencial agregador”, analisa.
A prefeitura de Arapongas acompanha a situação. “Iniciamos análises junto ao mercado, com o objetivo de desenvolver oportunidades que gerem melhoria e tragam resultados. Acredito que ações que fortaleçam o senso coletivo e a integração entre hélices sejam fundamentais, precisamos nos fortalecer em prol do todo”, explica a secretária de Desenvolvimento, Inovação, Trabalho e Renda do município, Claudia Lens.
Autor: Gazeta do Povo








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