A procura por empréstimos no Brasil cresceu 16,5% nos 12 meses encerrados em junho, impulsionada principalmente pelos consumidores de menor renda, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian divulgados nesta semana. O maior avanço foi registrado entre quem recebe de 1 a 2 salários mínimos, faixa que apresentou alta de 35,2% no período, indicando que mais famílias têm recorrido ao crédito para equilibrar as contas.
Os dados mostram que a demanda aumentou em praticamente todas as faixas de renda, mas em ritmos diferentes. O crescimento foi de 18,1% para quem ganha até 1 salário mínimo, de 16,1% para rendimentos entre 5 e 10 salários mínimos e de 12,9% entre aqueles com renda superior a 10 salários mínimos, enquanto a faixa de 2 a 5 salários mínimos foi a única a registrar queda, de 1,5%.
“O avanço mais intenso da demanda por crédito entre os consumidores de menor renda mostra que, nesse segmento, a necessidade de acesso ao crédito continua prevalecendo mesmo em um ambiente de custo elevado”, afirmou Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian.
VEJA TAMBÉM:
-
Endividamento das famílias bate recorde em julho mesmo com Desenrola 2.0
Na comparação entre junho de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a procura por crédito também manteve crescimento de dois dígitos, avançando 14,8%. Nessa análise, os consumidores com renda de 1 a 2 salários mínimos lideraram novamente, com alta de 50,8%, seguidos pelas faixas de 2 a 5 salários mínimos, com 7,4%, e de 5 a 10 salários mínimos, com 2,7%, enquanto as demais registraram retração.
Para muitas famílias, diz a economista, o empréstimo deixou de ser uma ferramenta voltada ao consumo e passou a ser utilizado para manter as despesas básicas em dia.
“Isso reforça que, para muitas famílias, o crédito está menos associado ao consumo discricionário e mais à administração do orçamento doméstico e à manutenção das despesas essenciais”, pontuou.
A pesquisa da Serasa Experian também apontou que os brasileiros de menor renda também passaram a utilizar mais as modalidades de crédito rotativo, que concentram as taxas de juros mais altas do mercado. Levantamento do Banco Central apontou que, no cartão de crédito, a taxa chegou a 432,1% neste ano.
“As famílias de menor renda tendem a estar mais expostas às modalidades de crédito rotativo, que concentram algumas das taxas de juros mais elevadas do mercado. Em momentos de dificuldade financeira, o peso desses encargos pode comprometer uma parcela significativa da renda disponível, elevando o risco de inadimplência”, ressaltou a economista.
Entre os estados com o maior crescimento da procura por empréstimos nos últimos 12 meses está o Mato Grosso, que liderou o ranking nacional com alta de 29,9%, seguido por Acre (24,8%), Roraima (24,4%), Amapá (22,6%), Mato Grosso do Sul (22,1%) e Rio Grande do Sul (22,1%). Já o Distrito Federal (11,4%), Santa Catarina (12,8%) e São Paulo (13,2%) registraram os menores avanços.
Autor: Gazeta do Povo




















