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Quando uma receita de bolo não é uma receita de bolo – 22/10/2026 – Cozinha Bruta

Entrei na faculdade de jornalismo em 1988, ano da promulgação da Constituição ainda vigente no Brasil. A ditadura era bem mais do que uma lembrança recente: somente no ano seguinte voltaríamos a ter eleições diretas para presidente.

Minha geração cresceu sob a baioneta dos milicos, mas só fomos entender plenamente o que isso representava no rescaldo do regime, quando entrávamos na reta final da adolescência.

Para os aspirantes a jornalista, em particular, o convívio com professores e profissionais da área nos revelava detalhes da máquina oficial de censura nos anos dos generais. Da perseguição, das prisões, da tortura. Do assassinato de vozes dissidentes na imprensa —vide Vladimir Herzog, “suicidado” por agentes da repressão em 25 de outubro de 1975.

Nada era publicado sem a aprovação dos censores. Quando vetavam algum texto, sobrava um buraco na página do jornal. Para preenchê-lo, os editores recorriam a expedientes criativos.

Metiam lá poemas, letras de música. Eram mensagens cifradas que nem todos compreendiam.

Uma saída engenhosa, empregada pelo extinto Jornal da Tarde, consistia em estampar receitas culinárias nos espaços censurados. Fico imaginando as pessoas que as levavam a sério e assavam os empadões impressos na primeira página do jornal.

Resolvi falar disso porque há jovens que nem sabem desses episódios. Há velhos que se esquecem deles, fingem esquecer-se ou, pior, lembram-se bem e pensam que é assim mesmo que deveria ser.

Existe o risco de o país cair novamente em um ciclo de governos autoritários. Não é exagero nem paranoia: está acontecendo por toda parte, inclusive em alguns dos nossos vizinhos.

A ruptura por pouco não sacudiu o Brasil depois das eleições de 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro se recusou a reconhecer a derrota e buscou lançar as Forças Armadas em um golpe de Estado —crime pelo qual foi condenado e preso. Você ainda se lembra?

Todo mundo estará melhor se, na imprensa, as receitas de bolo continuarem circunscritas a espaços temáticos como este e cada um puder fazer o que bem entender da própria vida. Isto se chama democracia: convém evitar matá-la com o apertar de botões, porque não vai ser bolinho.

Bolinhos de mirtilo na air fryer

Rendimento: 6 bolinhos

Tempo de preparo: 20 minutos

Ingredientes 

  • 60 g de manteiga sem sal
  • 120 g de farinha
  • 100 g de açúcar
  • 1 colher (chá) de fermento químico
  • 1 pitada de sal
  • 1 ovo
  • 70 ml de leite
  • ½ colher (chá) de extrato de baunilha (opcional)
  • 1 pacote (125 g) de mirtilos

Modo de fazer 

  1. Derreta a manteiga. Reserve. Aqueça a air fryer a 160 °C
  2. Misture farinha, açúcar, fermento e sal numa vasilha
  3. Em outra vasilha, bata ligeiramente o ovo. Misture o leite, a baunilha e a manteiga
  4. Junte as duas misturas e bata até obter um creme liso. Incorpore os mirtilos sem amassá-los
  5. Preencha forminhas de silicone com a massa do bolo. Asse por 12 minutos


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Autor: Folha

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