O cantor Roberto Carlos, 85, será submetido a uma cirurgia para retirada da vesícula biliar por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (22) pela equipe do artista.
Segundo Paulo Kassab, cirurgião do aparelho digestivo, professor de cirurgia da Santa Casa e médico do Hospital Sírio-Libanês, a recuperação costuma ser rápida, mesmo em pacientes idosos.
O que é a vesícula e em que casos ela é retirada
A vesícula armazena e concentra a bile fabricada pelo fígado, que é responsável por digerir as gorduras da alimentação.
Quando a vesícula adoece —problema mais comum em mulheres, segundo Kassab—, a bile perde solubilidade e forma cálculos, popularmente chamados de pedras na vesícula.
Essas pedras podem permanecer sem causar sintomas por décadas. Mas também podem provocar infecções, inflamações e dores fortes ou ainda migrar e obstruir o canal biliar, podendo causar icterícia (pele amarelada) ou pancreatite.
“A principal indicação cirúrgica relaciona-se à presença de cálculos que podem gerar processo inflamatório ou migrar pelos canais da bile, gerando icterícia”, afirma Marcelo Averbach, cirurgião do aparelho digestivo do Sírio-Libanês.
Como funciona o procedimento
Chamada de colecistectomia, a cirurgia para remoção da vesícula biliar por via laparoscópica é feita sob anestesia geral e costuma ser rápida (cerca de uma hora) e o paciente pode ter alta já no dia seguinte.
Segundo Kassab, a operação por videolaparoscopia causa cortes menores e provoca menos dor que a cirurgia aberta, além de promover uma recuperação mais rápida.
Idade é fator de atenção
Para pacientes mais idosos, o risco cirúrgico tende a ser um pouco maior, mas a avaliação depende sobretudo de comorbidades.
Kassab cita a classificação da Associação Americana de Anestesiologia, que vai de 1 a 5: pacientes idosos saudáveis, com no máximo hipertensão, ficam no nível 2. Já pacientes frágeis, emagrecidos, com demência ou problemas cardiovasculares graves sobem para os níveis 3 ou 4.
Um paciente idoso saudável, ele diz, costuma ter uma “cirurgia tranquila”, sem “grandes riscos cirúrgicos”.
A recuperação tende a ser tranquila, mas deve-se evitar esforço físico. Isso porque os pequenos orifícios feitos na parede abdominal ficam frágeis nas primeiras semanas, e o esforço pode favorecer o surgimento de hérnia no local.
Por isso, recomenda-se evitar carregar peso, fazer exercícios abdominais ou subir e descer escadas repetidamente logo após a cirurgia. Fora essas restrições, diz Kassab, o paciente pode seguir sua vida praticamente normal já nos primeiros dias.
Shows mantidos
Em comunicado publicado nas redes sociais oficiais, a assessoria de Roberto Carlos afirma que o procedimento já estava previsto e não deve alterar seus compromissos profissionais, com shows marcados para os dias 15 e 16 de agosto, no Rio de Janeiro.
A equipe diz ainda que o cantor “está tranquilo e seguindo todas as orientações médicas”.
Autor: Folha








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