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Roland Garros: Bia Haddad fala sobre recuperação – 22/05/2026 – Esporte

Beatriz Haddad Maia reconhece a temporada ruim sem rodeios. Enumera as derrotas, admite que perdeu agressividade e que trocar o saque no meio do circuito é como “mudar o pneu do carro em movimento”. Mas a paulistana chega a Roland Garros garantindo que o processo está no caminho certo.

“Meu nível de tênis já está ficando alto de novo nos treinos. É uma questão de tempo”, disse ela, nesta sexta-feira (22), em entrevista. “Tenho certeza de que vou conseguir executar isso no jogo.”

No domingo (24), Bia abre sua participação em Roland Garros contra a britânica Francesca Jones, 101ª do ranking da WTA, de 25 anos. A brasileira entra no Grand Slam francês na 78ª posição do ranking —distante do 10º lugar, sua melhor marca histórica, alcançada em 2023. Em 2026, acumula 14 derrotas em 18 partidas.

A recuperação tem ponto de partida definido. Em setembro do ano passado, Bia encerrou a temporada antes do previsto. Não era lesão. Era saúde mental.

“Na minha carreira, muitos dos momentos em que eu parei foram por lesão. Essa tinha sido a primeira vez que eu tomei uma decisão por vontade própria”, disse. “O que eu sentia não era o que eu queria, e isso contradizia o meu coração. Mas foi importante, me trouxe bastante consciência e me deixou mais forte para tomar as decisões de que eu precisava.”

A parada abriu caminho para mudanças no entorno. Nos últimos 18 meses, houve troca de técnico, saída de membros da comissão e reorganização do trabalho de apoio mental. O técnico atual é o espanhol Carlos Martinez Comet, a quem define como “uma pessoa incrível, muito profissional”. A influência dele tem, segundo ela, uma marca: “O Carlos tem uma visão um pouco mais espanhola, de ter um pouco mais de tempo na bola.”

Bia afirma que construiu a carreira fazendo o oposto. “Durante muito tempo eu conquistei muita coisa pisando para dentro e sendo muito agressiva. Eu perdi um pouco dessa agressividade, é uma coisa em que a gente está trabalhando.”

A mudança no saque é o exemplo mais concreto das adaptações em curso. “Desde a empunhadura, dos pés… quem joga tênis sabe o quanto um grau de mudança num punho, numa mão, num dedo muda tudo.”

Bia escolheu fazer esse processo competindo, não em casa. “Eu nunca tive problema de perder, nunca tive vergonha de perder. Quando a gente se expõe, mesmo não se sentindo 100% seguro, também diz algo sobre a gente.”

Para Roland Garros, onde foi semifinalista em 2023, ela não faz previsões. “Eu nunca soube quando ia fazer semifinal, nunca soube quando ia bater recordes. E nunca quis saber.”

O que muda desta vez, diz, é a sensação nos treinos. “Já faz mais ou menos uma semana que sinto uma mudança de chave. Estou jogando com jogadoras de alto nível e fazendo bons games de saque. Minha confiança está sendo construída nos treinos.”

Autor: Folha

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