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Ronaldinho embala sonho do Ravenna de chegar à elite – 29/08/2026 – Esporte

No fim de julho, grandes murais publicitários foram instalados em espaços nobres e de alta circulação no centro de Milão com a foto de Ronaldinho Gaúcho. Ele vestia o novo uniforme do Ravenna Football Club, time da cidade de Ravena, que fica a 300 km de distância, à beira do mar Adriático. A camiseta branca, com bordados dourados e a marca R10 na frente, o nome do jogador com o número 10 atrás, esgotou-se em poucos dias.

Segundo a imprensa italiana, que fala em “febre Dinho”, em referência ao apelido dele no país, foram vendidas online 2.000 peças nas primeiras 48 horas. No site, o próximo lote tem entrega prometida para o fim de outubro. Cada uma custa 129 euros (R$ 778), cerca de 20 euros a menos do que uma oficial do Milan, time em que o brasileiro jogou de 2008 a 2010.

A diferença é que o Milan já venceu o Campeonato Italiano 19 vezes, enquanto o Ravenna nunca nem passou da segunda divisão em mais de cem anos de existência. Nesta temporada, disputa a terceira divisão, recém-iniciada.

A chegada de Ronaldinho ao clube faz parte de uma campanha que tem a ambição de levar o Ravenna à Serie A nos próximos anos. Aos 46 anos, Ronaldinho foi anunciado com pompa em Miami, nos Estados Unidos, em junho. Em 20 de agosto, foi apresentado com festa em Ravena.

O brasileiro está inscrito na lista de jogadores e poderá entrar em campo em partidas oficiais nesta temporada, mas é incerto se isso vai acontecer. Ronaldinho não joga oficialmente desde 2015, quando estava no Fluminense. Na estreia do Ravenna, na segunda-feira (24), contra o Reggiana, ele não apareceu nem no banco de reservas.

“Se eu vou entrar em campo? Não sei, é o técnico que sabe. Estou aqui para ajudar meus companheiros e vencer, se possível”, disse o atacante na apresentação. Se marcar um gol, será o de número 300 na carreira. “Será ainda mais bonito.”

Especula-se que o jogo ideal para a sua estreia seja o clássico local, contra o Forlì, que será disputado em casa, em 15 de novembro, um domingo.

Além de fazer parte do elenco, Ronaldinho entrou como sócio do clube, no projeto comandado pelo amigo Ignazio Cipriani, 38. Parte de uma família italiana ligada desde os anos 1930 ao setor de bares, restaurantes e hospedagem, Cipriani opera nos Estados Unidos uma rede de hotéis de luxo. Nascido em Ravena, o empresário comprou o clube em 2024. Segundo ele, a chegada do atacante não é só uma operação de marketing.

“Essa não é uma simples jogada de fachada ou de marketing para falarem de nós. Ronaldinho se tornará sócio do Ravenna, esse é um ponto central da operação”, disse o empresário, antes da apresentação. “Dinho foi o jogador que fez a minha geração se apaixonar pelo futebol. Tenho certeza de que fará se apaixonarem também os jovens de Ravena e os levará a torcer pelo time da cidade deles.”

Com 156 mil habitantes, Ravena é um centro portuário e turístico que pouco aparece no noticiário nacional. A chegada de avião de uma celebridade internacional, que um dia já foi eleito o melhor jogador do mundo, e sua apresentação aberta aos moradores foram um acontecimento de parar a cidade.

“Tinha um pai do meu lado que tinha a filha nos ombros e, com os braços, erguia o filho para ver o Ronaldinho no palco. Foi realmente um abraço geracional, com um entusiasmo em todas as idades. Crianças e idosos –todos queriam ver Ronaldinho”, disse à Folha Matteo Dalla Vite, jornalista da Gazzetta dello Sport que cobriu o evento, acompanhado por mais de 3.000 pessoas.

“Os italianos se lembram dele como um mágico. Fez parte de um Milan que foi um dream team, e ele fazia um espetáculo no espetáculo: no aquecimento antes da partida, brincava com a bola e tentava do meio-campo acertar o travessão. Era coisa de cinema”, recordou.

O objetivo do Ravenna de chegar à primeira divisão passa pela estratégia de comunicação e marketing que envolve Ronaldinho, mas não só. O proprietário Cipriani conta com um parceiro investidor, e o clube busca montar um time competitivo. Em julho, foi anunciada a contratação de outro brasileiro, o meia Vinicius Di Stefano, revelado nas categorias de base do São Paulo.

Para Dalla Vite, outro diferencial é o vice-presidente Ariedo Braida, que foi dirigente do Milan entre o fim dos anos 1980 e 2013, na era de Silvio Berlusconi como presidente do clube. Foram quase 30 taças erguidas, sendo cinco da Champions League. “Braida é mítico. Tem um olho incrível para o mercado e para o futebol. Tem 80 anos, mas continua espertíssimo.”

Com ambição, dinheiro, dirigentes experientes e um nome como Ronaldinho, é possível o Ravenna chegar à Serie A? “Os contos de fada existem. Nem sempre funcionam, mas existem”, respondeu o jornalista.

Autor: Folha

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