
Clayton e Romário
Globo/ Angélica Goudinho
“A correria me obriga a ir
E eu só queria um tempo pra poder ficar
A sua presença é o que me faz feliz”
Os versos acima são do trapper Matuê. Mas se dependesse da dupla Clayton e Romário, poderia até ser de um hit sertanejo.
Em entrevista ao g1, sem citar nomes de nenhum artista em específico, Romário revelou sua vontade em fazer uma parceria dentro do trap, subgênero do rap, e falou sobre a conexão entre os gêneros musicais.
“Tenho essa vontade porque a gente vai conseguir mesclar dois segmentos que são super queridos. Vamos pegar o sertanejo e levar um pouco para um outro lado. E vamos também pegar o trap ali, que é de uma moçada muito nova, e trazer para ouvir também o sertanejo. Acho que é importante essa renovação acontecer sempre em todos os segmentos”, afirma Romário.
O cantor revelou que já tentou achar a música certa para a parceria, mas não conseguiu chegar ao resultado ideal.
“Já pedi para uns compositores, mas até então não conseguimos achar uma música onde a gente conseguisse produzir e tentar levar para frente.”
Mas será que a turma do trap aceitaria bem esse feat?
“Não sei por que eu não conheço muitas pessoas. Mas nas poucas músicas que eu escuto, eles falam muito de superação. Então tomara que eles tenham esse coração aberto do jeito que falam nas músicas, porque eu acho que daria certo.”
Dupla Clayton e Romário, dona do hit “Água no zói”, se apresentou no palco principal da Festa do Peão de Barretos
Ricardo Nasi/g1
Enquanto o feat com o trap não vem, eles seguem com as parcerias entre sertanejos mesmo.
A dupla lançou nesta quinta-feira (23) o álbum “Por Vocês Vol. 1”, primeira parte do novo DVD dos artistas. A faixa de estreia (“Não namora”) já estava no mercado desde 6 de março de 2026 e é uma parceria com Zé Neto e Cristiano.
O álbum completo, que conta com 23 faixas inéditas, também tem um feat com Jorge e Mateus. As duplas já uniram vozes em 2022 na música “Água nos Zói”, um dos maiores hits da carreira de Clayton & Romário.
“São duas participações de peso que eu tenho certeza que vão somar bastante”, afirma Romário.
Da farra ao romantismo
Os irmãos Clayton, de 40 anos, e Romário, de 35, soltam a voz juntos desde a infância. Em 2008, os goianos iniciaram uma carreira profissional entre bares e churrascarias da cidade de Barretos, no interior de São Paulo.
Mas foi só na pandemia, em 2020, que eles estouraram com a música “Pingaiada”, pinçada do álbum “No Churrasco”.
O projeto, em clima de farra e festa, ganhou o segundo volume. Mas a dupla também garantiu espaço no sertanejo romântico com “Namorando ou não”, em parceria com Luan Santana.
Clayton e Romário
Divulgação
Agora, Clayton & Romário mergulham um pouco mais nessa seara do romantismo e da sofrência, na tentativa de colocar a dupla em um novo patamar.
Referências para isso não faltam. Além de crescerem ouvindo artistas como Zezé Di Camargo e Luciano, Leonardo, Milionário & José Rico, Chitãozinho e Xororó e Chrystian & Ralf, eles também são fãs do cantor mexicano Luis Miguel e do espanhol Alejandro Sanz. A paixão pela música latina nasceu em 2003, ano em que moraram na Espanha ao longo de 8 meses.
“A gente sabe que as músicas animadas, que têm as letras mais fáceis e que são mais fáceis de chegar no público ou de acontecer, tomam uma proporção muito grande. Mas a gente sabe também que elas passam mais rápido.”
“Então a gente tentou trazer coisas mais conceituais [para este álbum], com alguns ritmos que a gente não tinha feito ainda”, afirma Clayton. “A gente espera que elas deem um respeito maior para o Clayton e Romário, e mude um pouco essa coisa de ser só da farra também.”
Para a dupla, as músicas conceituais são faixas com uma melodia que conta mais histórias.
“Elas têm uma dificuldade maior de ser trabalhada e de criar o pertencimento, só que quando se cria o pertencimento com uma música dessa magnitude, ela também permanece por muito mais tempo”, explica Romário.
Para chegar ao resultado final do disco, a dupla levou oito meses escolhendo o repertório.
Sertanejo de volta ao topo?
Clayton e Romário
Divulgação
Para Clayton, esse repertório mais conceitual pode ajudar a colocar o sertanejo de volta à predominância do Top 10 do Spotify.
Nos últimos meses, boa parte das primeiras posições do ranking da plataforma é dominada pelo funk. Há alguns anos, quem ocupava essa posição de quase hegemonia era o sertanejo.
“Eu acho que pelo menos uma ali no álbum vai ter esse trabalho maior de impactar as pessoas. E se acontecer, nós vamos não só estar sendo abençoados com o sucesso que vai durar mais, mas também trazendo o Top 10 mais para o sertanejo”, deseja Romário.
Músicas mais curtas
Como funk desbancou sertanejo e se tornou maioria no Top 10 do Spotify
Um dos pontos que ajudaram a colocar o funk nas primeiras posições é o fato de os artistas apostarem em faixas mais curtas, com cerca de dois minutos.
Clayton explica que, ao longo dos anos, a música sertaneja já foi reduzindo seu tempo – principalmente para se encaixar no tempo disponível das rádios. Mas ele afirma que não pensam sobre isso na hora de produzir uma faixa.
“É difícil a gente mensurar essas coisas. Mas quando a gente foi produzir, a gente produz de acordo com o que a música pede”, afirma.
“E a coisa do primeiro lugar, de estar ali…isso é números, né? A gente vê que o sertanejo começa a ficar mais no topo de sexta-feira para frente. Porque o público que escuta sertanejo, na maioria das vezes, está trabalhando, não fica escutando música o tempo inteiro. Quem escuta o funk, o trap, é a galera mais nova, que vai para escola com fone na orelha escutando.”
Clayton & Romário anima público no palco arena em Barretos (SP)
Ricardo Nasi/g1
Sertanejos Clayton & Romário revelam desejo de parceria no trap: 'Acho que daria certo'
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