Clarence Seedorf será o primeiro holandês a atuar no Campeonato Brasileiro como treinador. Ele chega ao Corinthians para substituir Fernando Diniz, demitido depois de o time acumular oito derrotas seguidas na competição e estar à beira da zona de rebaixamento.
Fiquei surpreso com a escolha de Seedorf, que foi um meio-campista craque quando jogava bola –brilhou na Itália (Milan, Inter de Milão) e na Espanha (Real Madrid), esteve na Copa do Mundo de 1998, na França, quando enfrentou o Brasil na semifinal, e encerrou a carreira por aqui, no Botafogo, defendendo o alvinegro carioca em 2012/2013.
Como treinador, entretanto, ele tem carreira incontínua e pífia. Nesta década, não comandou nenhum time. Seu último trabalho foi com a seleção de Camarões, em 2018/2019. São sete anos de inatividade, o que é inadequado em qualquer atividade. A evolução vem com a prática, e o holandês tem sido um não praticante.
Seedorf foi medíocre na estreia, no Milan (2014), piorou no Shenzhen, da China (2016), ampliou a piora no Deportivo La Coruña, da Espanha (2018), e despiorou um pouco nos Leões Indomáveis. Foi com Camarões seu trabalho menos fugaz, 11 meses e meio.
Resumo da carreira iniciada 12 anos atrás. Empregos: 4. Demissões: 3. Não renovação: 1. Jogos: 64. Vitórias: 21. Derrotas: 26. Títulos: Zero. Rebaixamentos: 1 (no Campeonato Espanhol).
A marca mais destacada no currículo de Seedorf é um rebaixamento. Até hoje, e isso não é nada animador para o fã corintiano, mostrou-se um treinador “perna de pau”.
Tanto que esteve longe de ser a primeira opção da direção para substituir Diniz. Foram procurados, sem que houvesse acordo, Ramón Díaz (argentino), Luis Zubeldía (argentino) e Sylvinho (ex-lateral da equipe e que dirigiu a Albânia), entre outros.
O Petrônio, funcionário do prédio em que moro, corintiano que acompanha o noticiário do clube avidamente, disse-me que Seedorf foi a décima opção. Ele está bem pouco otimista.
Em sua apresentação, Seedorf, 50, afirmou que não está a par do futebol brasileiro, dando importância nenhuma a isso. Falou que no futebol “a bola é redonda, são 11 contra 11, sem falar a gente se entende”. Se não precisa falar, técnico para quê? Distribuir os coletes no treino e deixar que se entendam? Escalar os 11 e deixar que se entendam? Ele precisa, sim, falar, até porque é fluente em português, casado que foi com uma brasileira.
Sobre o currículo enxuto como técnico, afirmou que não quis “pegar algumas coisas oferecidas porque não acreditava nos projetos”. Não sei que clubes o procuraram, o que sei é que o projeto imediato, único, do Corinthians é fugir do rebaixamento. Um projeto de salvamento. Era o que Seedorf queria? Se era, é bem pouco ortodoxo.
O futebol não é ciência exata, e é possível que o simpático holandês (surinamês de nascimento), com auxílio do compatriota Memphis Depay e contrariando meu prognóstico, consiga salvar o Corinthians e prorrogar sua permanência no alvinegro paulista –se cair, sai.
Pode ser que saia até antes. Se Seedorf começar mal, perder um jogo, perder dois, perder três, sai.
O corintiano está sofrendo, e continuará nas oito rodadas que faltam para o Brasileiro terminar. Haverá drama. Com Seedorf ou, talvez logo, sem ele
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Autor: Folha








.gif)












