O Departamento de Saúde dos Estados Unidos informou neste domingo (10) que um dos 17 americanos que estão sendo repatriados do cruzeiro afetado por um surto de hantavírus testou positivo para o vírus.
“Um passageiro apresenta atualmente sintomas leves e outro passageiro teve resultado positivo fraco no teste PCR para o vírus Andes”, disse o Departamento de Saúde no X.
Os passageiros viajam nos “compartimentos de contenção biológica da aeronave” por precaução.
Os americanos retirados da ilha espanhola de Tenerife serão transferidos para um centro especializado em Nebraska. A pessoa com sintomas leves será transferida para um segundo centro.
A expectativa é de que aterrissem na manhã desta segunda-feira (11).
Na chegada, “cada pessoa será submetida a uma avaliação clínica e receberá os cuidados e o apoio adequados de acordo com sua condição”.
Três passageiros do cruzeiro MV Hondius morreram, enquanto outros foram infectados pelo vírus.
O risco global para o hantavírus, no entanto, permanece baixo, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde).
A organização avalia que não há, neste momento, necessidade de convocar um comitê de emergência, mecanismo acionado em cenários mais críticos.
Especialistas da OMS afirmam que o comportamento do hantavírus é significativamente diferente do observado em vírus de doenças respiratórias de alta transmissibilidade, como a Covid e a gripe.
Veja perguntas e respostas sobre o vírus
O que é o hantavírus?
É um vírus do gênero Orthohantavirus, agente causador da hantavirose, doença que pode provocar insuficiência respiratória grave e fatal. Existem mais de 40 tipos do vírus no mundo. Nas Américas, a manifestação mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que afeta o coração e os pulmões. Cerca de 40% dos casos resultam em morte, segundo os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.
Como o vírus é transmitido?
O principal meio de transmissão é o contato com roedores silvestres, conhecidos como ratos do mato. O vírus é eliminado pela urina, fezes e saliva desses animais. A infecção ocorre principalmente quando uma pessoa inala aerossóis contaminados, como ao varrer locais onde esses roedores viveram. Ratos urbanos comuns, como ratazanas e camundongos, estão mais associados à leptospirose do que ao hantavírus.
Como foi a transmissão no cruzeiro?
A hipótese da OMS é que os primeiros infectados, um casal holandês, contraíram o vírus fora do navio, possivelmente durante atividades de observação de aves na Argentina. A cepa envolvida seria o Andes, que circula na América do Sul. A partir daí, teria ocorrido transmissão entre humanos a bordo, entre pessoas em contato próximo que compartilhavam cabines. Embora rara, essa forma de contágio já foi documentada em surtos anteriores da cepa Andes.
O hantavírus ocorre no Brasil?
Sim. Entre 1993 e 2024, foram registrados 2.377 casos no país, com 540 mortes, segundo o Ministério da Saúde. A maioria ocorre na zona rural, que concentra cerca de 70% dos casos. Em 2025, foram notificados 28 casos. Nos primeiros quatro meses de 2026, já são seis registros. O vírus é mais frequente em países da América do Sul, e o Brasil é um dos mais afetados na região.
Autor: Folha








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