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Transtornos alimentares: tratamentos indicados – 11/06/2026 – Não Tem Cabimento


Transtornos como anorexia, bulimia e compulsão alimentar são doenças psiquiátricas multifatoriais, geralmente associadas a outros transtornos mentais. Por isso, o tratamento dessas doenças envolve diferentes profissionais, como psiquiatra, psicólogo e nutricionista.

De acordo com a psiquiatra Maria Amália Pedrosa, especialista no assunto e diretora executiva da Astral (Associação Brasileira de Transtornos Alimentares), para definir as abordagens mais adequadas para cada caso é essencial avaliar se há diagnóstico, elucidá-lo e identificar a presença de comorbidades, como o transtorno de ansiedade ou o depressivo. Em alguns casos, é possível utilizar medicamentos para tratamento de transtornos alimentares, comorbidades e sintomas. “Quanto mais precoce a avaliação, melhor para o tratamento e para o desfecho.”

Uma das abordagens psicológicas mais indicadas é a TCC (terapia cognitivo-comportamental), que ajuda a identificar emoções e a modificar pensamentos disfuncionais sobre o corpo e a alimentação, além de trabalhar comportamentos como restrição, compulsão e purgação. A psicóloga clínica da Astral Patrícia Xavier diz que o FBT (tratamento baseado na família) e a DBT (terapia comportamental dialética) também estão entre as mais promissoras.

Embora os transtornos alimentares tenham características em comum, a psicóloga enfatiza que cada um requer abordagens próprias. Enquanto o tratamento da anorexia exige foco na retomada alimentar e na recuperação do peso, a bulimia precisa da restauração de alimentação regular, e a compulsão demanda um trabalho voltado à regulação emocional e à ressignificação da relação com a comida.

A especialista pontua ainda que outros transtornos do tipo, como o Tare (transtorno alimentar restritivo evitativo), em que a restrição alimentar se dá pela evitação de alimentos que causam aversão ou medo, e cujo manejo é diferente. A exposição gradual aos alimentos e um trabalho multidisciplinar ainda mais específico são exemplos da complexidade dos transtornos alimentares, que não estão necessariamente ligados à autoimagem.

Nesse processo, o nutricionista tem o papel de avaliar, intervir, monitorar e coordenar o cuidado nutricional do paciente. Segundo Muriel Depin, especializado em transtornos alimentares pelo Ambulim, o diário alimentar do paciente, que deve reunir informações sobre cada refeição, como a companhia, os sentimentos e os pensamentos presentes, é uma das principais ferramentas utilizadas.

O diário permite que os profissionais envolvidos no tratamento do paciente identifiquem alimentos e contextos que geram maior sofrimento, guiando metas pequenas e possíveis para o seu empoderamento. Assim, a inserção de novos alimentos na rotina acontece de acordo com o que é confortável para cada pessoa ao longo do acompanhamento.

Muriel também cita a régua de fome e saciedade, que ajuda o paciente a perceber sinais internos desregulados e entender quando deve comer ou parar.

Essas doenças não são tratadas com dieta, afirma o nutricionista. Práticas como o comer intuitivo ou com atenção plena, além de instrumentos da própria terapia cognitivo-comportamental, podem ser emprestadas à nutrição para auxiliar na recuperação nutricional do paciente. “Dietas não são eficazes no tratamento desses transtornos”, enfatiza.

Segundo Patrícia Xavier, classificar alimentos entre saudáveis e não saudáveis e usar o peso como indicador de melhora também são ineficazes: o que importa é a evolução clínica. Para a especialista, o transtorno alimentar não é algo isolado, pois comer é um ato social, e, para que o tratamento seja mais efetivo, a família do paciente deve estar presente.

“O que realmente funciona são abordagens que integram aspectos comportamentais, emocionais e cognitivos, e que haja flexibilidade e acolhimento. Tudo isso deve ser pautado em base sólida e científica”, diz a psicóloga.


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Autor: Folha

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