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Vinhos de inverno do Brasil estão em plena vindima – 23/07/2026 – Isabelle Moreira Lima

Já pensou em tomar um assyrtiko de Brasília? Ou um nebbiolo de São Paulo? Prepare-se que esse dia está chegando. Os chamados vinhos de inverno, feitos a partir da técnica que inverte o ciclo da videira, deixando para colher as uvas na estação mais fria e seca, estão em plena vindima e as vinícolas abrem suas portas para os visitantes.

As expectativas para a safra 2026, cuja colheita ocorre em estados do Sudeste e do Centro-Oeste, além da Bahia, são de crescimento: há 15% mais vinhedos plantados e mais diversidade de variedades. O que começou com a regra de syrah para tintos e sauvignon blanc para brancos, hoje inclui tempranillo, touriga nacional e alvarinho com ótimos resultados no campo. Em pouco tempo, saberemos como se comportam na taça.

“Estamos na fase de entender o terroir de cada região”, diz Claudio Góes, CEO da Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin), que é também produtor na região de São Roque, onde faz os vinhos Philosophia. “Aqui, a gente se deu muito bem com a cabernet franc e vemos uma nebbiolo maravilhosa já na primeira colheita”, diz.

Difícil é encontrar essa boa diversidade nas prateleiras das capitais. Com a forte concorrência de vinhos do mundo todo e importadoras bem estabelecidas, sobra pouco espaço aos vinhos de inverno nas cartas.

Para prová-los, como diz o ditado, ainda é preciso que a montanha vá a Maomé —ou que o bebedor vá ao produtor. Não deixa de ser uma sorte: ao visitar uma vinícola, aprendemos mais sobre as características do lugar, conhecemos um pouco da personalidade de quem faz o vinho, apreciamos a beleza do local e tudo isso complementa a experiência da degustação. É mais fácil gostar de um vinho que se toma no seu próprio terroir.

Para quem se animou a, não só figurativamente, mas literalmente ir à montanha, nos próximos dias a Mantiqueira sedia o Festival de Inverno, que reúne 42 vinícolas responsáveis por 65 medalhas conquistadas no Decanter World Wine Awards 2025.

Esse impressionante número de prêmios, alardeado em vários materiais de divulgação, foi fundamental para a aceitação desses vinhos dentro do país, de acordo com Góes. “O raciocínio é: ‘os caras estão falando que o vinho é bom. Deixa eu provar, né?’ Esses prêmios são aliados para enfrentar o preconceito e alcançar novos consumidores”, afirma.

A festa acontece nos dias 31/7 e 1º/8 no Clube de Campo Caco Velho, em Espírito Santo do Pinhal, e entre vinhedos, montanhas e cafezais da chamada Serra dos Encontros, divisa entre São Paulo e Minas que abraça também as cidades de Jacutinga (MG), Albertina (MG) e Santo Antônio do Jardim (SP).

Entre os atrativos do festival, estão degustações, vendas diretas com os produtores, provas de cafés especiais, aulas, experiências gastronômicas e atrações musicais, das 13h à 0h. Nas cozinhas locais, nomes como Tássia Magalhães (Nelita), Jefferson Rueda (Casa do Porco Bar), Flávio Trombino (Xapuri) e Caio Soter (Pacato). Os ingressos, que incluem shows, aulas, taça e prova de café, estão à venda na Wine Locals e vão de R$ 70 a R$ 380.

Entre os participantes, vale provar os vinhos da Arpuro (Uberaba), Casa Almeida Barreto (Albertina), Estrada Real (Três Corações), Maria Maria (Boa Esperança), Sacramentos Vinifer (Sacramento) e Philosophia (São Roque), que também organizou jantares com colheita ao luar.


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Autor: Folha

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