A ida do brasileiro Rafael Oliveira para a Heineken poucos meses após ser confirmado como futuro CEO da Global Coffee Co faz a maior empresa de café do mundo ir ao mercado, de novo, em busca de um novo líder.
Oliveira era CEO da JDE Peet’s desde 2024. Em 2025, a empresa foi adquirida pela Keurig Dr Pepper em um acordo de 16 bilhões de euros (R$ 94,33 bilhões). A união das duas gigantes dará origem à Global Coffee Co, que será a maior empresa de café do mundo, com uma receita anual de US$ 16 bilhões (cerca de R$ 86,5 bilhões).
Em abril de 2026, a empresa emitiu um comunicado no qual confirmava que Oliveira assumiria a Global Coffee Co. Ele estava à frente da preparação para o início das operações da nova gigante, previsto para o começo de 2027.
A ida do executivo para a Heineken turva os planos do grupo, que terá que buscar outro nome. Mas, procurada pela Folha, a Keurig informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que, apesar da saída de Oliveira, o cronograma não foi alterado, e mantém a previsão de iniciar as operações da Global Coffee Co. no começo de 2027.
A mudança tem impacto no Brasil, que é um dos maiores mercados globais da JDE Peet’s. A empresa é dona de marcas como Pilão e L’Or.
A Folha apurou que executivos da empresa no país foram pegos de surpresa com a saída de Oliveira. O clima entre os funcionários era de otimismo com o fato de o grupo ser liderado globalmente por um brasileiro, que conhece as peculiaridades do mercado de café nacional.
Agora, volta a um clima de incerteza que não é exatamente desconhecido. Em 2024, o então CEO Fabien Simon deixou a empresa abruptamente. Com isso, Luc Vandevelde ficou seis meses como interino enquanto a empresa buscava um líder efetivo –que acabou sendo Oliveira.
A Keurig Dr Pepper atua no mercado de café e outras bebidas, como refrigerantes e sucos. Com a união com a JDE, a gigante será dividida em duas empresas: uma focada nas bebidas refrescantes, que passará a se chamar Beverage Co. e ficará sob o comando de Tim Cofer, atual CEO da Keurig Dr Pepper; e a outra atuará no segmento de café sob o nome de Global Coffee Co. –esta que seria liderada por Rafael Oliveira.
No mesmo dia em que a Heineken anunciou o brasileiro como novo CEO, a Keurig emitiu um comunicado informando sobre “atualizações na liderança”.
“O Conselho de Administração da KDP abriu um processo de busca para o futuro CEO da Global Coffee Co. Pamela Patsley, presidente do Conselho da KDP e presidente do Comitê de Nomeação e Governança, liderará a busca. Tim Cofer, CEO da KDP, continuará supervisionando o negócio de café”, diz o informe da empresa. “Como anunciado anteriormente, Cofer atuará como CEO da Beverage Co. após a separação”, prossegue.
Toda essa celeuma não deve trazer mudanças práticas para o consumidor brasileiro no curto prazo. Dificilmente a marca mexeria com a Pilão, que é líder no país, com penetração em todo o território nacional. É a marca mais lembrada pelos consumidores, sobretudo os das classes com menor poder aquisitivo. Por isso, nada indica que a futura Global Coffee Co. vá retirar o rótulo do mercado.
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Autor: Folha








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