quarta-feira, agosto 12, 2026
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A Morte de Robin Hood divide críticos ao reinventar o herói

Robin Hood sempre foi um personagem fácil de reconhecer e difícil de reinventar. Ao longo de décadas, o fora da lei que rouba dos ricos para ajudar os pobres já apareceu como aventureiro carismático, herói romântico, personagem cômico e figura mais amarga e vingativa. A Morte de Robin Hood, dirigido e roteirizado por Michael Sarnoski, que chega aos cinemas brasileiros, parte justamente da decisão de abandonar quase tudo aquilo que o público associa ao mito. Na versão protagonizada por Hugh Jackman, Robin não é um herói injustiçado, mas um homem marcado por uma trajetória de crimes e violência, confrontado nos últimos dias de vida com a possibilidade de mudar. O resultado chega aos cinemas brasileiros em 13 de agosto e encontra uma recepção crítica dividida.

A proposta de Sarnoski é apresentada desde o início de maneira bastante direta. Robin reconhece que as histórias contadas sobre ele são falsas e que sua reputação heroica não corresponde ao homem que foi. Depois de anos de crimes, ele aparece cansado e isolado, distante dos antigos companheiros. Um confronto com Little John, interpretado por Bill Skarsgård, termina deixando Robin gravemente ferido. Ele acaba acolhido em um priorado comandado por Brigid, vivida por Jodie Comer, onde começa uma recuperação que é menos física do que moral.

É nessa mudança de direção que o filme encontra parte de seus méritos e também de seus problemas. Em vez de transformar a história em mais uma aventura medieval, Sarnoski concentra a narrativa na tentativa de entender o que sobra de alguém depois de uma vida dedicada à violência. Robin passa a conviver com órfãos, doentes e outros marginalizados, estabelece uma amizade com um homem leproso e assume uma espécie de papel paterno para Margaret, filha de Little John. A antiga habilidade com armas deixa de ser o centro da narrativa. O que interessa é observar se um homem que passou a vida destruindo relações pode construir alguma coisa nos seus últimos dias.

As críticas reconhecem que essa mudança de perspectiva tem força. O jornal inglês The Guardian destaca a capacidade de Sarnoski de criar uma atmosfera particular, explorando os sons, as texturas naturais e as paisagens usadas para representar a Inglaterra medieval. A publicação também identifica talento nas sequências de ação e na construção visual do filme, embora considere frustrante que a energia dessas cenas seja concentrada sobretudo no começo. O Hollywood Reporter chega a uma conclusão semelhante ao elogiar a atmosfera, a fotografia, o desenho de som, a trilha e as mudanças de proporção da tela. Mesmo quando rejeitam o resultado final, os dois textos reconhecem que existe uma ideia cinematográfica por trás da experiência.