O número de empresas com impostos atrasados inscritas na dívida ativa saltou de 7,3% em 2020 para 20% em 2026. O levantamento da proScore revela que pequenos empreendedores e setores dependentes do consumo direto, como varejo de roupas e restaurantes, são os mais prejudicados. O cenário é agravado pelos juros altos e pela falta de reserva financeira para suportar períodos de baixas vendas.
O que explica o aumento expressivo de empresas na dívida ativa?
A escalada de 7,3% para 20% em seis anos mostra que os impactos da pandemia ainda não foram superados e se somaram a uma economia enfraquecida. Muitos brasileiros abriram empresas individuais para gerar renda, mas entraram no mercado sem capital de reserva. Quando as vendas caem ou os custos sobem, esses negócios não têm fôlego financeiro para pagar fornecedores e impostos simultaneamente. O resultado é que os empresários priorizam manter a operação viva, deixando o pagamento dos tributos para depois, o que os leva direto para o cadastro de devedores do governo.
Quais setores da economia estão sofrendo mais com a inadimplência?
Os ramos mais atingidos são aqueles que dependem da circulação de pessoas e do dinheiro que entra em caixa todos os dias. O comércio varejista de roupas, restaurantes, lanchonetes, cabeleireiros e promotores de vendas lideram a lista de dificuldades. Como esses negócios operam com margens de lucro muito apertadas, qualquer pequena interrupção no fluxo de clientes compromete a capacidade de honrar compromissos básicos. Sem dinheiro sobrando para emergências, a inadimplência bate recordes, atingindo 9,1 milhões de empresas com pendências que somam centenas de bilhões de reais.
Como a taxa de juros elevada atrapalha a recuperação dos negócios?
Com a taxa Selic em 14%, o custo para conseguir dinheiro emprestado fica muito alto. As empresas que precisam de capital de giro — aquele recurso necessário para cobrir o intervalo entre a compra de mercadoria e o recebimento das vendas — acabam sufocadas pelos juros. Especialistas explicam que as empresas e o governo acabam disputando a mesma liquidez do mercado. Além disso, a carga tributária brasileira atingiu níveis históricos em 2025, o que retira recursos que o setor produtivo poderia usar para investir, contratar funcionários ou simplesmente manter as portas abertas.
Quais são os riscos da nova reforma tributária para o caixa das empresas?
A grande preocupação agora é o chamado ‘split payment’, um mecanismo onde o imposto é retirado automaticamente de cada transação de venda antes mesmo de o dinheiro chegar à conta do empresário. Atualmente, muitas companhias usam o prazo entre a venda e o recolhimento do imposto para equilibrar as contas do dia a dia. Com a mudança prevista para operar plenamente em 2027, essa folga de caixa deixará de existir. Somado a isso, o Brasil pode ter a maior alíquota de imposto sobre consumo do mundo, o que exige que o empresário entenda com precisão absoluta seus custos para não quebrar.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo




















