
Um grupo de criminosos executou nesta segunda-feira (24) 22 pessoas que haviam buscado abrigo dentro de uma igreja localizada na região de Kenscoff, que fica nos arredores de Porto Príncipe, capital do Haiti. As vítimas estão entre os pelo menos 47 mortos em um massacre atribuído a gangues armadas que atuam na região, segundo revelou a Organização das Nações Unidas (ONU).
Em comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o massacre e afirmou que os ataques recorrentes de gangues contra comunidades haitianas evidenciam a deterioração da segurança no país. Ele defendeu o reforço dos esforços nacionais e internacionais para combater os grupos armados no país. Guterres pediu às autoridades haitianas que garantam a responsabilização dos envolvidos no massacre. Segundo a ONU, unidades judiciais especializadas, criadas recentemente com apoio internacional, deverão atuar na investigação de crimes em massa no país.
Após o massacre, centenas de moradores se mobilizaram diante da delegacia de Kenscoff para protestar contra a insegurança e cobrar uma resposta das forças de segurança. Segundo a agência EFE, os manifestantes criticaram a atuação do Estado e denunciaram a falta de medidas eficazes para conter a violência que atinge a região há mais de 20 meses.
As gangues envolvidas no ataque integram a chamada coalizão armada Viv Ansanm e tentam ampliar sua presença em Kenscoff, área considerada estratégica por sua proximidade com o departamento do Sudeste e com a cidade de Jacmel. A região havia permanecido relativamente menos atingida pela violência que domina grande parte da área metropolitana de Porto Príncipe.
Após os ataques, os grupos armados costumam recuar para áreas próximas a Kenscoff, como Carrefour, onde a presença do Estado é limitada. Dados da ONU atualizados nesta terça-feira apontam que ao menos 3.050 pessoas morreram e 1.401 ficaram feridas em episódios de violência apenas nos primeiros seis meses do ano.
A violência amplia a crise humanitária. Cerca de 5,8 milhões de haitianos, o equivalente a aproximadamente 52% da população, enfrentam insegurança alimentar, enquanto o número de deslocados internos chegou a 1,4 milhão no ano passado, segundo dados de organismos internacionais.
Autor: Gazeta do Povo








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