US$ 17,1 bilhões (R$ 88,4 bilhões); esse foi o montante que a gigante do Vale do Silício concordou em pagar como parte de um acordo com 47 estados, o Distrito de Columbia e territórios dos Estados Unidos, em um processo que acusa a empresa de colocar crianças em risco com redes sociais viciantes.
Inicialmente, a Meta pagará US$ 11,66 bilhões (R$ 60,2 bilhões) dos US$ 17,1 bilhões (R$ 88 bilhões) do acordo.
Em arranjo para pressionar concorrentes, a empresa pagará o valor restante, de US$ 5,3 bilhões (R$ 27,3 bilhões), apenas se Snap, TikTok e YouTube, do Google, também concordarem em adotar medidas semelhantes e desembolsarem outros US$ 5,3 bilhões cada.
A quantia é elevada para muitos estados. Mas qual é o peso desse valor para a Meta?
US$ 1,45 trilhão (R$ 7,49 trilhões)
Esse é o valor total de mercado da Meta. A multa de US$ 17,1 bilhões (R$ 88,4 bilhões) equivale a cerca de 1% desse montante.
US$ 200 bilhões (R$ 1,03 trilhão)
Os quatro estados que processaram a Meta por acusações relacionadas ao vício em redes sociais em um caso que estava em julgamento no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, em Oakland, haviam inicialmente pedido cerca de US$ 200 bilhões (R$ 1,03 trilhão) em multas.
US$ 60,8 bilhões (R$ 313,4 bilhões)
Esse foi a receita da Meta no trimestre mais recente. No ano passado, a empresa registrou receita total de US$ 200,97 bilhões (R$ 1,04 trilhão)
US$ 18,3 bilhões (R$ 94,2 bilhões)
Esse foi o lucro da Meta no último trimestre. Em todo o ano passado, o lucro foi de US$ 60,46 bilhões (R$ 311,4 bilhões).
US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões)
Esse foi o valor que a Meta afirmou ter gasto no segundo trimestre para lidar com desafios jurídicos.
Além do impacto financeiro, o acordo prevê mudanças no Facebook e no Instagram, plataformas nas quais qualquer pessoa a partir dos 13 anos pode abrir uma conta. A empresa concordou em limitar adolescentes a duas horas diárias nos aplicativos e bloquear automaticamente seu acesso entre meia-noite e 6h. Os pais poderão desativar os limites.
A Meta também disse que desativará a exibição da quantidade de curtidas, permitirá que adolescentes optem por não receber um feed personalizado por algoritmos e investirá mais em tecnologia de verificação de idade.
As medidas repercutiram entre os jovens, que costumam ter opiniões conflitantes sobre as plataformas onde passam grande parte do tempo. Pouco mais da metade dos adolescentes afirmou passar pelo menos quatro horas por dia em aplicativos de redes sociais, segundo pesquisa da Gallup realizada em 2023.
Na tarde de quarta-feira (26), enquanto se preparava para ir ao treino de futebol americano do colégio, Billy Stern, 16, soube do acordo. Ele disse concordar com a premissa dos processos, segundo a qual os aplicativos foram projetados para estimular o uso compulsivo.
“Embora eu tenha usado o Instagram para muitas coisas positivas e ache que ele possa ser usado de forma adequada, acho que há 100% de fundamento na ideia de que eles tentam atingir adolescentes e torná-los viciados”, afirmou Stern, de Montauk, no estado de Nova York.
Outros jovens também reconhecem essa relação ambígua com as plataformas. Rex Wolpoff, 15, de Weston, Connecticut, disse que é fácil passar horas rolando o Instagram quase sem perceber.
“Você pensa: ‘Uau, uma hora inteira do meu dia simplesmente passou'”, afirmou.
Pesquisas mostram que adolescentes dizem que as redes sociais os ajudam a se sentir mais conectados aos amigos, mas também temem que as plataformas prejudiquem sua saúde mental, sono e produtividade.
Em levantamento do Pew Research Center realizado em 2024, cerca de metade dos adolescentes disse que as redes sociais têm efeito predominantemente negativo sobre pessoas de sua idade. Quarenta e cinco por cento afirmaram passar tempo demais nas plataformas.
As mudanças ocorrem enquanto escolas de todo o país tentam manter fisicamente os jovens longe dos celulares. Embora algumas tenham adotado bolsas de tecido com travas magnéticas, muitos alunos encontraram maneiras de contornar as regras.
Althea Juntunen, 16, de Boulder, Colorado, tentou usar um aplicativo para reduzir o tempo que passava rolando as redes sociais quando precisava dormir. Funcionou “por um tempo”. Ela considerou positivos os novos limites da Meta, mas questionou sua eficácia diante da facilidade com que adolescentes encontram brechas.
“Todo mundo encontra brechas quando quer entrar nas redes sociais”, afirmou.
Autor: Folha








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