A companhia francesa Voltalia obteve autorização do governo brasileiro para instalar um data center de 322,5 MW (megawatts) de capacidade projetada no complexo industrial e portuário do Pecém, no Ceará. A medida garante isenções fiscais para o futuro mega empreendimento.
A aprovação para aproveitar a ZPE (Zona de Processamento de Exportação) do Pecém é um “marco importante” para o empreendimento, disse a Voltalia à agência Reuters. A companhia também acrescentou que deverão ser desenvolvidos projetos eólicos dedicados a atender à demanda da instalação.
O investimento total previsto no data center da Voltalia é de R$ 181,7 bilhões, segundo comunicado do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) na quarta-feira (26).
Os investimentos nesse tipo de projeto costumam ser elevados e divididos entre o operador do data center, que fica responsável pela infraestrutura física, e a empresa usuária, que entra com os computadores e outros equipamentos de TI.
A Voltalia iniciou o projeto aproveitando seu conhecimento como geradora de energia elétrica, elemento estratégico para esse tipo de empreendimento. No futuro, o projeto poderá ser assumido por um operador do segmento ou pelo cliente final.
O ministério disse ainda que o data center deve contar com sistema de água de reuso para refrigeração dos equipamentos e gerar 2.300 empregos diretos na implementação e 400 na fase operacional.
As aprovações para o empreendimento avançam enquanto a Voltalia negocia com potenciais usuários do data center, com o banco Santander responsável por buscar o “offtake”, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto.
A Voltalia disse que não iria comentar sobre as negociações em andamento, enquanto o Santander não retornou ao pedido de comentário.
A companhia francesa é uma importante geradora de energia eólica e solar, e tem no Brasil uma parte relevante de seu portfólio global.
Nos últimos anos, em meio à piora do setor brasileiro de renováveis, que inviabilizou lançamentos de novas usinas, a empresa se voltou para diferentes negócios, estudando desenvolver projetos de hidrogênio verde e data centers.
A empresa divulgou a assinatura de conexão com a rede elétrica nacional para o data center no Ceará em junho.
Na ocasião, a empresa disse que estava em “discussões avançadas” com vários operadores do segmento, e que o complexo cearense oferecia disponibilidade de terra e infraestrutura robusta, representando uma “localização estratégica para projetos digitais de grande escala”.
O projeto da Voltalia é o segundo a se instalar no Pecém, onde também está sendo construído o data center contratado pela ByteDance, dona do TikTok, hoje o maior em desenvolvimento no Brasil.
O empreendimento da ByteDance, em parceria com a Omnia, do Patria Investimentos, e a geradora Casa dos Ventos, terá em sua primeira fase cerca de 200 MW de capacidade de TI e um consumo energético de cerca de 300 MW.
No futuro, deverá chegar a 1 GW, consumindo R$ 200 bilhões em investimentos.
Os empreendimentos em ZPEs avançam em meio a esforços do Brasil para se firmar como um centro global para a crescente indústria de data centers. Muitos projetos ainda aguardam a aprovação do programa Redata, que prevê um regime especial de tributação e deverá reduzir a carga tributária do setor.
Na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou um acordo com a Câmara dos Deputados e o Senado para a votação do Redata e outros temas prioritários ao governo na última semana de funcionamento do Parlamento antes das eleições de outubro.
Autor: Folha








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