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IA pode custar US$ 500 bi aos bancos – 07/10/2026 – IA

Financial Times
É um fato do setor bancário que, quanto menos você se importa, mais o seu banco ganha. As instituições financeiras obtêm bons lucros ao pegar o dinheiro que os clientes deixam parado em suas contas e investi-lo a taxas mais altas. A inteligência artificial com agentes, expressão em alta no momento, pode abalar esse arranjo confortável. E, embora isso não seja suficiente para derrubar os bancos de sua posição, há bastante coisa em jogo.

A teoria é que assistentes de IA, como o Muse, da Meta, poderiam ajudar os clientes a dar melhor uso a trilhões de dólares em “dinheiro preguiçoso” —recursos parados nas contas. Isso poderia significar apenas alertar quando um poupador poderia obter uma condição melhor para seu saldo excedente. Ou, de forma mais ambiciosa, transferir automaticamente o excesso para um fundo de mercado monetário que ofereça um rendimento superior ao quase nulo pago atualmente pelas contas de depósito com acesso imediato.

Mão metálica robótica tocando teclas de teclado preto com letras brancas. Ao fundo, letras grandes e iluminadas formam a sigla 'AI' e a frase 'Artificial Intelligence' desfocada em azul.

Agentes de IA podem pressionar lucros dos bancos em US$ 500 bilhões

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Dado Ruvic – 23.set.26/Reuters

Seria uma grande mudança. Os bancos obtêm cerca de dois terços de sua receita com o chamado spread bancário, a diferença entre o que pagam para captar recursos e o que cobram ao emprestá-los. JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo mantêm US$ 1,6 trilhão (R$ 8 trilhões) em depósitos que não rendem juros —16% de seus passivos. Pagar uma taxa de 3% sobre esses recursos custaria US$ 47 bilhões (R$ 234,7 bilhões) por ano, quase metade dos lucros anuais somados das três instituições.

Os lucros bancários realmente evaporariam nessa proporção? Provavelmente não. A conversa alarmista sobre “corridas bancárias provocadas por agentes” desconsidera os diversos obstáculos que impedem os recursos dos clientes de circular livremente de um lado para outro. A barreira mais simples é a confiança: as famílias entregariam o controle de suas finanças a empresas conhecidas por agir rapidamente e “quebrar coisas”? Quem seria responsabilizado se o agente transferisse dinheiro para o lugar errado?

Mas a IA certamente tornará os clientes menos passivos —e há uma forma de estimar quanto isso custará aos bancos. Sempre que um banco americano compra outro, precisa calcular o benefício financeiro de adquirir depósitos estáveis e baratos, em vez de captar recursos no mercado. Esse valor é chamado de “ativo intangível de depósitos principais” e normalmente equivale a 2% ou 3% do saldo das contas envolvidas, segundo uma análise da Mercer Capital.

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Aplicando essa proporção, de forma aproximada, a todos os bancos americanos, com seus US$ 20 trilhões (R$ 100 trilhões) em depósitos, dos quais cerca de 80% são considerados “principais”, chega-se a aproximadamente US$ 500 bilhões (R$ 2,5 trilhões). Esse seria, em outras palavras, o valor do patrimônio que os bancos perderiam se todos esses depósitos passassem a receber retornos próximos aos praticados no mercado. O montante equivale a cerca de um décimo do valor total dos bancos americanos listados em bolsa, segundo dados da S&P Capital IQ.

É verdade que os bancos também ganharão com a IA, além de perder. Cortar custos, precificar empréstimos de forma mais eficiente e evitar erros humanos caros —como as transferências equivocadas de US$ 900 milhões (R$ 4,49 bilhões) do Citigroup —devem gerar ganhos. O presidente-executivo do Bank of America, Brian Moynihan, disse no mês passado que a instituição gastou US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões) em melhorias relacionadas à IA e obteve US$ 800 milhões (R$ 4 bilhões) em benefícios. À medida que os agentes ganharem espaço, os frutos dos esforços para aumentar a eficiência chegarão cada vez mais aos depositantes, e não apenas aos acionistas.

Por enquanto, há preocupações maiores. Mais da metade dos investidores de bancos considera que altas dos juros pelo Fed (Federal Reserve) são o maior risco para as avaliações das instituições, segundo a Truist, que realizou uma pesquisa com investidores no fim de setembro. Poucos mencionaram a ameaça dos robôs.

E, como o presidente-executivo do JPMorgan, Jamie Dimon, costuma alertar, o sistema bancário não enfrenta uma verdadeira crise de crédito há mais de uma década —e uma já está atrasada. Os verdadeiros agentes do caos já estão entre nós.

Autor: Folha

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