O anúncio dos 26 jogadores brasileiros que irão ao Mundial foi um espetáculo exagerado, comercial, desproporcional. Parecia a comemoração do título. As outras grandes seleções apenas informaram os convocados pela internet.
A única surpresa foi a ausência de João Pedro. Neymar ocupou o seu lugar, mas se esperava que João Pedro fosse o primeiro na lista dos centroavantes. Ancelotti afirmou que Neymar poderá ser titular, reserva, jogar poucos minutos ou todo o tempo das partidas. Vai depender do momento, dos treinamentos e dos jogos.
Ancelotti diz que Neymar será um atacante pelo centro. Não irá precisar voltar para marcar nem iniciar as jogadas no próprio campo, como faz Matheus Cunha. Neymar fará uma dupla com outro atacante ou será o jogador mais adiantado.
Ainda tenho dúvidas se os fatores positivos da presença de Neymar são maiores que os negativos. Tudo é incerto. Só os que não sabem nada têm certeza de tudo.
A seleção brasileira, por ter excelentes pontas e atacantes, hábeis, rápidos e dribladores, e não ter o hábito de ter craques no meio-campo para trocar passes e ter o domínio da bola e do jogo, deveria, ao enfrentar as grandes seleções, marcar de forma um pouco mais recuada para contra-atacar e aproveitar os espaços deixados nas costas dos defensores que avançam na marcação.
Gostei das convocações do goleiro Weverton e dos jovens Endrick e Rayan. Os dois atacantes já estão prontos para sere destaques nesta Copa.
Penso que Marlon, volante do Palmeiras, que não está nem na lista dos 55, deveria ter sido convocado e testado. Ele é alto, forte, se posiciona muito bem, marca bem e tem um ótimo passe, rápido e para a frente. O experiente Fabinho, convocado para reserva de Casemiro, joga na Arábia e quase ninguém vê. Como Casemiro, costuma levar muitos cartões, é importante ter um ótimo jogador para substituí-lo.
Na Copa do Mundo, veremos grandes craques, como Vini Jr. e Raphinha, do Brasil, Vitinha, Cristiano Ronaldo e Bruno Fernades, de Portugal, Lamine Yamal, Pedri e Rodri, da Espanha, Mbappé, Olise e Dembélé, da França, Rice e Kane, da Inglaterra, Messi e Alvarez, da Argentina, e muitos outros.
São os craques que decidem e embelezam o Mundial, desde que atuem em equipes organizadas.
Muitos grandes craques não foram campeões do mundo, como alguns da seleção brasileira de 1982 (Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e outros). Muito mais importante que o título, que as ações e que os discursos teatrais e midiáticos é o comportamento técnico, individual e coletivo durante a carreira.
Di Stéfano não foi campeão do mundo. Muitos argentinos acham que ele foi superior a Messi e Maradona. Meu pai dizia que Pelé era o melhor do mundo, mas que Di Stéfano era o único que brilhava de uma área à outra. Por causa das palavras do meu pai, tentei jogar no Cruzeiro de uma área à outra. Quando passava do meio-campo, estava exausto. Desisti de ser um Di Stéfano e contentei-me em ser o Tostão.
Durante a Copa do Mundo de 1994, eu estava na lanchonete do centro da imprensa quando um senhor mais velho pediu licença para se sentar ao meu lado. Ele disse que me conhecia da Copa de 70 e se apresentou: eu sou o Di Stéfano. Levei um susto, quase caí da cadeira. Batemos um bom papo sobre futebol. Lamentei depois não ter pedido um autógrafo para meu pai.
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Autor: Folha








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