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Ansiedade: método de 3 perguntas reduz preocupações – 19/07/2026 – Equilíbrio

Meu pai tem o hábito de imaginar o pior cenário possível em qualquer situação —real ou imaginária, padrão de pensamento que os terapeutas chamam de “catastrofismo”.

Sempre que me visita, faz uma inspeção minuciosa da minha casa, seguida de declarações sombrias. Recentemente, saiu do meu porão e sentenciou: “Garanto que está mofado. Mande inspecionar o cômodo imediatamente, ou isso vai ser seu funeral.”

Não imagino meu funeral com tanta frequência quanto meu pai —mas, quando estou estressada, minhas preocupações também aumentam.

Um método que uso para controlar meus pensamentos em turbilhão foi desenvolvido por Martin Seligman, diretor do Centro de Psicologia Positiva da Universidade da Pensilvânia e uma das principais autoridades em felicidade. Ele estuda como as pessoas desenvolvem resiliência, e descobriu que a forma como descrevemos nossas dificuldades para nós mesmos pode influenciar a maneira como as encaramos.

Ao longo de décadas de pesquisa, Seligman desenvolveu um modelo de três elementos que as pessoas podem usar para interpretar os desafios da vida: permanência, generalização e controle. Acho útil fazer uma pergunta sobre cada um deles quando sinto que estou perdendo o domínio de uma situação.

1 – O problema é permanente?

O cérebro é programado para se concentrar com mais intensidade nos eventos negativos do que nos positivos, e os primeiros tendem a permanecer na mente por mais tempo. Isso pode fazer com que um problema pareça que veio para ficar —mesmo que não seja o caso.

Quando os pacientes dizem a Seligman que estão ansiosos com alguma coisa, ele pergunta se é algo temporário: “É apenas essa situação específica? Só vai te afetar agora? Ou vai durar?”

Saber que seu problema tem um fim pode ajudá-lo a passar de um estado de emergência para a tolerância, mesmo que seja doloroso nesse meio-tempo, observa Eric Zimmer, autor de “How a Little Becomes a Lot” (Como um pouco se transforma em muito).

Zimmer pergunta a si mesmo se um contratempo ainda o incomodará daqui a cinco horas, cinco dias ou cinco semanas. Ele ensinou que, se você determinar que algo ainda vai preocupá-lo daqui a cinco semanas, então deve direcionar energia e recursos para lidar com isso.

2 – O problema é generalizado?

Às vezes, um deslize ou uma crise pode nos levar a generalizar, tirando conclusões abrangentes a partir de um único evento. Um exemplo, segundo Seligman, é você dizer a si mesmo que não é digno de amor depois de um rompimento, em vez de afirmar: “Eu nunca deveria ter me envolvido com essa pessoa.”

Para controlar seus pensamentos em espiral, Zimmer sugere que você se pergunte: esse problema está realmente afetando todos os aspectos da minha vida? Quais áreas permanecem inalteradas e positivas?

“Quando estamos no meio de uma situação difícil, podemos ficar tão míopes que ela parece enorme”, ressalta Zimmer.

Em vez disso, ele propõe: “Afaste-se e observe o quadro completo.”

Antes de ter seu podcast, Zimmer abriu uma empresa de energia solar que acabou falindo. No início, ele se considerou um fracasso. Mas quando se perguntou se esse problema era generalizado, percebeu que não era ele o fracassado —era seu negócio que havia falido.

3 – Em que aspectos tenho controle sobre o problema?

De início, Seligman pensava que a personalização —a crença de que somos culpados de todos os eventos negativos— determinava como uma pessoa via os problemas e lidava com eles. Agora, porém, ele acredita que a autonomia, ou a capacidade de tomar medidas e decisões que afetam nossa vida, é um fator mais importante.

Seligman recomenda que, depois de passar por uma provação, você se pergunte: “O que posso fazer a respeito?” E que em seguida identifique o que está sob seu controle —anote, se isso ajudar— para descobrir onde você tem poder de agir. Ele acrescenta que, na maioria das vezes, “quase sempre” existe algo que você pode encontrar.

Quando está pensando em soluções para um problema, Zimmer tenta vê-lo como um quebra-cabeça e não como uma dificuldade, conceito que aprendeu com o produtor musical Quincy Jones. “Isso me permite pensar que, em muitos casos, há de fato uma solução e que só preciso encontrá-la.”

Autor: Folha

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