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Ataque cibernético destrói alimentos em mercado na França – 13/10/2026 – Tec

O executivo-chefe de uma rede de supermercados francesa atingida por ataques cibernéticos que fizeram refrigeradores superaquecerem classificou o episódio como um ataque “sem precedentes” e “extremamente grave” à segurança alimentar do país.

O ataque, ocorrido no domingo (11), afetou cerca de 80 das 2.000 lojas da Coopérative U, disse Dominique Schelcher à rádio francesa RTL nesta terça-feira (13).

Centenas de unidades de outras redes francesas, incluindo Carrefour, Intermarché, Monoprix e Netto, também foram afetadas. Os invasores assumiram o controle dos sistemas de refrigeração e elevaram drasticamente as temperaturas dos equipamentos.

A unidade do Intermarché em Le Haye, no noroeste da França, informou em um vídeo publicado no Facebook que a temperatura de alguns refrigeradores chegou a 80°C, derretendo equipamentos e destruindo alimentos.

“Nunca imaginaríamos algo assim em nossa loja rural do Intermarché. […] É uma perda operacional enorme”, afirmou o gerente Julien Fréret na publicação, na qual também pediu desculpas aos clientes.

O grupo Mousquetaires, proprietário das redes Intermarché e Netto, informou que os produtos armazenados nos refrigeradores das lojas afetadas foram retirados o mais rapidamente possível e que as operações estavam voltando “gradualmente” ao normal.

A unidade de crimes cibernéticos da Procuradoria de Paris informou que abriu uma investigação sobre o ataque, com base em sua competência em âmbito nacional.

Países de todo o mundo têm demonstrado preocupação crescente com as possíveis consequências de ataques cibernéticos a sistemas conectados e infraestruturas críticas.

Em setembro, o presidente francês, Emmanuel Macron, determinou o aumento do nível de vigilância contra ataques cibernéticos, após alertar para o risco crescente de ataques “híbridos” russos na Europa.

Nesta terça-feira (13), Schelcher ressaltou que apenas “uma pequena minoria” das lojas da Coopérative U foi afetada e que poucos alimentos foram perdidos, pois funcionários conseguiram intervir, em muitos casos, para estabilizar os equipamentos.

Ainda assim, ele afirmou: “Estão atacando o abastecimento alimentar dos franceses. Em toda a minha carreira profissional, nunca vi nada parecido”.

Schelcher acrescentou que a identidade dos responsáveis ainda era desconhecida, mas que a agência francesa de segurança cibernética e a Procuradoria de Paris haviam aberto investigações.

Ciaran Martin, ex-diretor-executivo do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido, classificou o episódio como “um dos eventos cibernéticos mais estranhos” que já presenciou.

“A essência dos ataques de ransomware e da atividade criminosa é extorquir dinheiro para impedir que algo aconteça. Mas eles já fizeram o pior, e não há indícios de qualquer exigência [de resgate]”, afirmou Martin.

Schelcher disse que o software dos refrigeradores afetados, desenvolvido pela empresa dinamarquesa Danfoss, foi instalado nos supermercados por uma fornecedora de equipamentos de refrigeração.

Em agosto, pesquisadores da empresa de segurança cibernética Claroty divulgaram um relatório no qual afirmaram ter “identificado múltiplas vulnerabilidades” nos sistemas da Danfoss responsáveis pelo gerenciamento dos equipamentos de refrigeração. Segundo os pesquisadores, a empresa corrigiu as falhas em uma atualização de firmware após ser informada sobre elas.

A Danfoss afirmou nesta terça (13) que os incidentes na França afetaram um número limitado de sistemas de gerenciamento de refrigeração que já não recebiam atualizações de segurança e operavam com versões desatualizadas de softwares.

“Levamos esses incidentes a sério e estamos em contato próximo com os clientes afetados para ajudá-los a lidar com a situação”, disse.

Autor: Folha

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