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Brasil amplia adesão ou intenção de uso de IA nas compras – 13/10/2026 – IA


São Paulo


Cerca de 72% dos consumidores brasileiros dizem já ter usado ou estar dispostos a usar agentes de IA (inteligência artificial) para fazer compras agora ou nos próximos 12 meses. Segundo estudo da empresa Global Payments, especializada em softwares de pagamento, o resultado é quase o dobro dos 39% apresentados em 2025.

O levantamento, feito em maio deste ano, também mostrou queda na rejeição ao chamado comércio agêntico. No ano passado, 27% dos consumidores negaram a possibilidade de comprar com auxílio de IA; em 2026, a recusa total ao método caiu para 6%. Os 22% restantes disseram que talvez adotem o modelo.

Em comparação aos outros seis mercados consumidores abrangidos pelo estudo, o Brasil passou a ocupar a segunda posição no índice de adoção ou intenção de uso, atrás da China (86%) e à frente de Singapura (59%), Reino Unido (48%), França (46%), Estados Unidos (45%) e Austrália (40%).



Centro de distribuição do Mercado Livre, em Cajamar (SP)

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Danilo Verpa – 25.nov.21/Folhapress

Segundo Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral da Global Payments para a América Latina, o crescimento do Brasil surpreende. “O que mais chama atenção é o nível de adoção do Brasil, que está crescendo de uma forma totalmente acelerada”, diz.

O mais esperado, segundo o executivo, seria que mercados com leis mais protetivas ao consumidor, como o europeu, fossem mais permeáveis à adoção de IA no procedimento de compra. D’Antiochia atribui o crescimento do Brasil no comércio agêntico à necessidade de poupar tempo.

“Quando você olha as grandes cidades brasileiras, vê essa necessidade de tempo da pessoa que está o dia todo na rua, indo de um lado para outro. Esse consumidor tem uma necessidade urgente de delegar atividades”, afirma o representante da Global Payments.

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Apesar de mais simpático à compra mediada por inteligência artificial, a pesquisa mostra que uma parcela do mercado brasileiro vê barreiras em relação ao método. Segurança dos dados de pagamento (50%); privacidade e uso de dados pessoais (45%); escolhas erradas do agente de IA (41%) são as preocupações mais citadas pelos consumidores.

Para aumentar a confiança, 41% dos entrevistados dizem ser necessária a confirmação prévia das compras realizadas pelo agente de IA; a mesma parcela destaca os alertas imediatos de transação como elemento de segurança; 34% exigem prova de imunidade a ataques cibernéticos; e 33% aponta a necessidade de clareza sobre quem responde por eventuais erros.

Juan D’Antiochia vê a desconfiança, e a redução gradativa dela, como consequência da evolução do comércio agêntico. Segundo ele, aperfeiçoamentos que vão desde a redução de alucinações da IA durante a compra a mudanças na legislação de consumo devem acontecer para ampliar a adesão dos usuários.

A tendência, afirma o executivo, é a automação de compras chegar primeiro aos produtos comoditizados —com pouca diferenciação entre marcas e vendidos por muitas lojas. “Quando frete, condições de entrega, etc., são iguais, ganha o mais barato, ou o promotor mais amigável”, diz.

Outro ponto comentado por D’Antiochia é a criação de agentes próprios de IA por grandes empresas de varejo. Ele prevê que os marketplaces vão incentivar o uso de assistentes internos e restringir o acesso de plataformas externas, mas em algum momento terão de fazer concessões.

Para explicar esse movimento, o executivo compara os agentes de IA a lojas em shopping centers: “Há shoppings em que você entra por uma loja e depois acessa o resto do shopping. Todo mundo quer ser essa loja, né? Essa loja é onde você tem que passar de forma obrigatória”.

Neste mês, a Amazon bloqueou o agente Muse, da Meta, de realizar compras em sua plataforma e restringiu o acesso de outros agentes. Ao mesmo tempo, desenvolve suas próprias ferramentas de IA.

Outra varejista importante no Brasil, o Magazine Luiza diz ter desenvolvido uma plataforma de comércio conversacional, o WhatsApp da Lu. A ferramenta funciona como um personal shopper, na qual a IA busca e recomenda produtos, refina as sugestões conforme o perfil e o orçamento do cliente, e permite concluir a compra no próprio aplicativo de mensagens.

O Mercado Livre desenvolve uma busca aprimorada por IA e testa um assistente de compras, que explora diferentes aplicações de IA para a jornada de compra, incluindo busca e decisão.

METODOLOGIA DA PESQUISA

A segunda edição da Pesquisa Internacional de IA Agêntica, encomendada pela Global Payments e conduzida pela The Lantern, entrevistou 8.027 consumidores em maio de 2026. O levantamento abrangeu Estados Unidos, Reino Unido, França, Brasil, China, Singapura e Austrália.

Os participantes receberam uma descrição de um agente de IA capaz de pesquisar, selecionar e comprar produtos em seu nome. A partir disso, a pesquisa examinou a disposição dos consumidores de usar pagamentos agênticos em diferentes cenários, seus limites de gastos e os fatores que influenciam a confiança e a adoção da tecnologia

Com base nos resultados, foi estabelecida uma escala de confiança em agentes de IA, cuja pontuação varia de 1 a 5. Com nota média de 3,80, os brasileiros ficaram apenas atrás dos chineses, com 3,97. Em 2025, a média brasileira foi de 3,18.

Autor: Folha

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