O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, apontou nesta semana o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, como sua principal referência na área econômica.
“Eu posso te dizer que a pessoa que eu mais converso, que mais me orienta hoje, é o Armínio Fraga”, afirmou ele em São Paulo. “Ele é a pessoa que mais me baliza hoje, nas minhas decisões e nas minhas inquietações também”.
A referência a Fraga, feita em encontro que reuniu empresários e executivos para discutir propostas e perspectivas para a economia brasileira, ocorre em meio à defesa de uma política econômica centrada no equilíbrio das contas públicas. O candidato alertou para o crescimento da dívida e a condução fiscal do atual governo.
“Durante a Covid, tivemos 76% da dívida em relação ao PIB, o maior pico. Depois, conseguimos devolver para 72%. E hoje já está quase em 82%”, afirmou. “[O atual governo] não tem responsabilidade com a parte fiscal, fundamental para se poder governar. Não existe governo sem isso”.
Um dia depois de ser apontado, o ex-presidente do Banco Central disse ter ficado “muito contente” com o reconhecimento. “Eu ouvi isso por terceiros. Fiquei muito contente quando ouvi dizer que ele andou comentando que gostava das minhas ideias”, afirmou a jornalistas em São Paulo. Evitou, porém, comentar a possibilidade de assumir o Ministério da Fazenda.
Em julho, Frago classificou o quadro fiscal brasileiro como “desastroso”, disse que a situação “não é sustentável” e defendeu ajustes urgentes. Na mesma entrevista, afirmou que “Ronaldo Caiado fez um governo de qualidade” e citou o goiano entre as alternativas capazes de conduzir o país diante da crise fiscal.
VEJA TAMBÉM:
-
Flávio evita confronto com Caiado e Zema de olho em alianças para o segundo turno
Reformas para recuperar confiança
Ao lado da disciplina fiscal, o candidato do PSD afirmou que um eventual governo teria de apresentar desde o início uma agenda de reformas para recuperar a confiança dos investidores. “Não há um só item capaz de fazer com que você, empresária, acredite no governo. O governo tem que mostrar o que vai fazer e implementar reformas que você espera, e que todos esperam. Não é um gesto só”, afirmou.
A reforma administrativa teria papel central, com uma estrutura estatal menor, associada à cobrança de resultados e critérios de desempenho para o funcionalismo. “Essa reforma é necessária urgentemente. Agora, junto à [redução da] máquina pública, é necessária também o que chamamos hoje de uma prova de proficiência, de resultado, de meritocracia”, disse.
A redução de despesas, segundo ele, exigirá medidas duras também no âmbito do próprio governo. “E não tem como não cortar na carne. Se o presidente não der o bom exemplo, como é que ele vai querer a reciprocidade de outros segmentos?”, questionou.
Caiado citou também a economista Ana Carla Abrão Costa, ex-secretária da Fazenda de Goiás, para a contribuição do novo desenho. “Na parte de administração, temos aí boas pessoas para trazermos, para a composição de várias sugestões, e várias frentes para chegarmos a um resultado final no tema”, afirmou.“Eu sempre me ocupei em ter as melhores cabeças ao meu lado. Essa é a preocupação que eu tive para governar.”
O economista Armínio Fraga presidiu o Banco Central entre 1999 e 2003, durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Ana Carla Abrão, por sua vez, participou da elaboração de propostas de reforma administrativa ao lado de Fraga e do jurista Carlos Ari Sundfeld.
VEJA TAMBÉM:
- Estados mais dependentes do Bolsa Família têm qualidade de vida mais baixa
- Deltan, Garotinho, Crivella: força eleitoral sustenta candidaturas sob disputa na Justiça
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












