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Começa audiência de chef que vendia veneno para suicídio – 24/09/2026 – Equilíbrio e Saúde

Familiares de pessoas que cometeram suicídio usando veneno vendido por um canadense deram relatos dilacerantes de dor e perda em um tribunal nesta quarta-feira (23), diante da juíza encarregada de decidir a pena de prisão do ex-chef de cozinha.

Kenneth Law declarou-se culpado em maio de auxiliar no suicídio de 14 pessoas no Canadá, depois que os promotores concluíram não haver provas suficientes para condená-lo por homicídio devido aos fóruns online nos quais orientava pessoas sobre como tirar a própria vida.

Law admitiu que procurava clientes ativamente, participando de um fórum de discussão sobre suicídio sob um pseudônimo, e que disponibilizava substâncias letais para compra.

“Não consigo parar de pensar que minha menina nunca mais voltará”, disse Maria Lopez, mãe de Jeshennia Bedoya-Lopez, que morreu em 2022, aos 18 anos, em uma declaração lida pelos promotores nesta quarta-feira.

O pai da jovem, Leonardo Bedoya, acrescentou: “O futuro que havíamos imaginado como família desapareceu”.

Assim como esses pais devastados, dezenas de outras pessoas que perderam entes queridos por causa de produtos vendidos por Law prestarão depoimentos nos próximos dias no tribunal de Newmarket, perto de Toronto.

Law vendeu veneno a pessoas de pelo menos 41 países, incluindo China, França e Brasil.

Ele vendeu 330 pacotes a pessoas no Reino Unido, segundo uma declaração consensual dos fatos assinada pela defesa e pela acusação. Lá, 79 mortes estão ligadas a ele, de acordo com os promotores canadenses.

Várias famílias afetadas manifestaram indignação pelo fato de Law não ser julgado por homicídio, argumentando que ele deveria ser responsabilizado diretamente por abreviar a vida de pessoas em sua maioria jovens e vulneráveis.

“Esse homem, Kenneth Law, deve ser tratado pelo que é: um assassino em série. Porque ali, no tribunal, ele não demonstra remorso algum”, disse Bedoya a jornalistas do lado de fora do tribunal.

Apesar de retirarem as acusações de homicídio, os promotores ainda devem pedir uma pena severa por auxílio ao suicídio, possivelmente de até 20 anos, segundo especialistas jurídicos.

“Já não sou a mesma pessoa que era antes da morte do meu irmão. O luto agora faz parte de tudo o que faço”, disse no tribunal Adrienne Dalli, irmã de Maurizio Vadala, com a voz embargada pela dor.

A juíza Michelle Fuerst reservou quatro dias para ouvir declarações sobre o impacto causado às vítimas e outras provas antes de determinar a sentença.

Ainda não está claro quando Fuerst decidirá a pena.

O jornal canadense Globe and Mail publicou, no início deste mês, detalhes das entrevistas de Law com um psiquiatra, realizadas na prisão depois que ele se declarou culpado.

“Eu só estava tentando atender a uma necessidade que considerava humana”, disse Law, segundo documentos judiciais obtidos pelo jornal.

“Não sou um louco diabólico”, teria dito ainda Law.

Nos documentos judiciais, Law relatou que se considerava isento de culpa após sua prisão, em 2023, insistindo que não havia tomado a decisão final de encerrar a vida de ninguém e que estava apenas fornecendo um produto, informou o Globe.

Law, que está na faixa dos 60 anos, trabalhou como chef de cozinha em um hotel de luxo no centro de Toronto antes de criar seus fóruns online sobre suicídio durante a pandemia da Covid-19.

Ele admitiu ter enviado o material para várias regiões do Canadá e para o exterior, geralmente por cerca de US$ 80 (cerca de R$ 415)

No Reino Unido, as mortes ligadas a Law incluem a de Ashleigh Harris, que morreu em 2023, aos 26 anos. Seu pai, Norson Harris, viajou do Reino Unido para falar ao tribunal canadense nesta quarta-feira.

“O impacto da morte de Ashley foi profundo”, disse Norris. “Havia um antes e agora há um depois, em que passamos a fazer parte de um clube do qual ninguém quer ser membro”.

Autor: Folha

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