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Dejetos suínos podem substituir fertilizantes importados

Pesquisadores da Embrapa em Seropédica (RJ) validaram o uso da estruvita, obtida de dejetos suínos, como alternativa sustentável aos adubos fosfatados importados. A inovação promove a economia circular, reduz a dependência externa e diminui o impacto ambiental da suinocultura nacional.

O que é a estruvita e como ela é produzida?

A estruvita é um mineral branco composto por fósforo, nitrogênio e magnésio. Ela é obtida através de um processo químico de precipitação a partir dos resíduos líquidos (dejetos) da criação de porcos. Em vez de esses resíduos se tornarem um poluidor ambiental, eles são transformados em um fertilizante de alto valor para a agricultura.

Qual é a principal vantagem desse produto para o agricultor brasileiro?

Diferente dos adubos convencionais que se dissolvem rápido e acabam ‘presos’ na terra, a estruvita é um fertilizante de liberação lenta. Isso é ótimo para os solos do Brasil, que são naturalmente ácidos. Ela permite que a planta aproveite melhor os nutrientes ao longo do tempo, mantendo a produtividade em níveis equivalentes aos dos produtos importados.

Como essa descoberta ajuda na soberania do país?

Atualmente, o Brasil importa cerca de 70% dos adubos químicos à base de fósforo que utiliza, dependendo muito de países como a China. Como as reservas minerais de fósforo são finitas e os preços oscilam conforme crises internacionais, produzir o próprio adubo a partir de resíduos animais garante mais autonomia e segurança para o nosso agronegócio.

Quais são os benefícios ambientais diretos para as fazendas?

A produção intensiva de porcos gera um grande volume de efluentes que podem contaminar rios e lençóis freáticos se usados de forma inadequada. Ao retirar o fósforo e o nitrogênio para criar a estruvita, a carga poluidora desses resíduos diminui drasticamente. Isso permite que as granjas protejam a água local e até ampliem sua produção com segurança ambiental.

Essa tecnologia pode gerar dinheiro para o criador de suínos?

Sim. A tecnologia transforma um ‘lixo’ em um produto comercializável. A Embrapa estima que propriedades com mais de 5 mil suínos podem gerar um faturamento extra ao vender a estruvita. Se adotada em larga escala, a técnica pode gerar cerca de 340 mil toneladas do fertilizante por ano apenas no Brasil, criando uma nova fonte de renda nas regiões Sul e Centro-Oeste.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

VEJA TAMBÉM:

  • Substância obtida de dejetos suínos pode substituir fertilizantes importados, mostra Embrapa

Autor: Gazeta do Povo

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