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Jorge Ben Jor faz do café aula de história em canção – 15/10/2026 – Café na Prensa

Jorge Ben Jor, que se apresenta em São Paulo neste sábado (17), no Nubank Parque, escreveu uma música que sintetiza a história do café no Brasil em poucos versos.

A canção “Café”, sobre essa “planta maravilhosa e originária da Etiópia”, mistura aspectos históricos com um refrão simples e pegajoso: “Meu amor, meu amor / Me faz um cafezinho / Com aroma e com carinho”.

O músico vai às origens da chegada do café ao Brasil ao cantar: “Em 1727, um nobre / chamado Palheta / trouxe a cultura do café / para o Brasil”.

Ele se refere a Francisco de Mello Palheta, que naquele ano foi à Guiana Francesa e, sob as ordens de João Maia da Gama, então governador do estado do Maranhão e Grão-Pará, surrupiou sementes e mudas da planta.

Naquela época, quem cultivava café fazia de tudo para evitar que a planta caísse nas mãos de concorrentes, pois o grão começava a conquistar a Europa e havia se tornado uma mercadoria valiosa.

Ao fim de sua incursão à Guiana Francesa, Palheta voltou a Belém com cinco mudas e mais de mil sementes, dando início a um cultivo que sustentaria a economia de exportação do Brasil por quase dois séculos.

Ben Jor continua sua aula nos versos seguintes: “Depois vieram os barões / do café / um cartel que mandava / queimava, jogava fora / mas não dava”.

O trecho faz menção ao episódio da queima de sacas de café, uma das políticas de intervenção econômica mais extremas da história do país.

Na década de 1920, a expansão acelerada dos cafezais no Oeste Paulista gerou uma oferta muito superior à capacidade de absorção do mercado internacional. Com a crise da Bolsa de Nova York, em 1929, os preços do produto despencaram.

O resultado foi o acúmulo de estoques: em 1930, o Brasil mantinha mais de 26 milhões de sacas armazenadas —volume superior a todo o consumo mundial de um ano.

Assim, o governo federal concluiu que a única saída para reequilibrar a oferta e a demanda seria a destruição do excesso.

A União passou, então, a comprar o excedente dos produtores para incinerá-lo. Entre 1931 e 1944, o país destruiu cerca de 78,2 milhões de sacas de 60 kg, montante equivalente a quase três anos do consumo global da época.

Trazendo a história para o Rio, Ben Jor faz uma referência sobre os primeiros cafezais, cultivados na floresta da Tijuca, nos arredores de onde hoje fica o morro do Salgueiro: “O preto que virou ouro / nas terras do Salgueiro”.

Isso inspirou os compositores da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, que, em 1992, desfilou com o enredo “O negro que virou ouro nas terras do Salgueiro”.

Sem deixar de lado a crítica social, um trecho do samba diz: “O ciclo do café era a riqueza / fausto e luxo da nobreza / e suor da escravidão / sonso, vira rico e rotina / filosofia de esquina / cafezinho no balcão”.

O Salgueiro acabou como quarto colocado naquele ano, mas o samba conquistou o público com o refrão “soca no pilão / preto velho mandingueiro / o negro que virou ouro / lá nas terras do Salgueiro”.

Lado B de uma fase pouco aclamada da carreira de Ben Jor, “Café” não deve estar no setlist do show deste sábado. Não fará falta. Estaremos lá para ouvir, mais uma vez, as composições de discos antológicos, como “Samba esquema novo”, “A tábua de esmeralda” e “África Brasil”.


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Autor: Folha

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