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Ebola: o que é e como se transmite a doença – 19/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

Do outro lado do Atlântico, a República Democrática do Congo enfrenta uma rápida expansão de um dos vírus mais temidos do continente africano e do mundo, o ebola. O surto atual já provocou 131 mortes e 513 casos suspeitos no país, segundo anunciaram autoridades congolesas nesta terça-feira (19).

A velocidade da disseminação levou a OMS (Organização Mundial da Saúde) a declarar uma emergência de saúde pública de importância internacional. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nesta terça que está “profundamente preocupado com a escala e a velocidade” da epidemia.

O vírus causou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos e permanece uma ameaça devido à sua alta letalidade e à dificuldade de contenção em regiões com sistemas de saúde fragilizados. A Folha reuniu as principais dúvidas sobre o vírus.

O que é o ebola?

O ebola é uma doença viral grave, anteriormente chamada de febre hemorrágica ebola, causada por vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus.

A doença afeta seres humanos e primatas não humanos, como macacos, gorilas e chimpanzés, e pode apresentar alta taxa de mortalidade, chegando a 90% em alguns surtos.

Até o momento, foram descritas cinco subespécies do vírus ebola: vírus Ebola (Zaire Ebolavirus); vírus Sudão (Sudão Ebolavirus); vírus Taï Forest (Tai Forest Ebolavirus); vírus Bundibugyo (Bundibugyo Ebolavirus); e vírus Reston (Reston Ebolavirus), este último afetando somente primatas não humanos.

O Zaire Ebolavirus é o que apresenta maior letalidade e é responsável por epidemias anteriores. O atual surto é causado pela cepa Bundibugyo do ebola, para a qual não há vacina, nem tratamento específico.

A cepa Bundibugyo provocou duas epidemias: uma em Uganda, em 2007; e outra na República Democrática do Congo, em 2012. A taxa de mortalidade ficou entre 30% e 50%.

Como o vírus é transmitido?

A transmissão ocorre por contato direto com sangue, tecidos e fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, vivos ou mortos. Entre os fluidos capazes de transmitir o vírus estão saliva, urina, fezes, leite materno e sêmen.

O vírus também pode ser transmitido por objetos e superfícies contaminados. Não há evidências de transmissão pelo ar, nem pelo suor.

Não há transmissão durante o período de incubação do vírus, que pode variar de dois a 21 dias. A pessoa só transmite a doença após o início dos sintomas.

Como e onde ocorreu o primeiro surto?

A origem do vírus é desconhecida, mas os morcegos frugívoros (Pteropodidae) são considerados os hospedeiros prováveis do vírus ebola.

O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, durante surtos no sul do Sudão e no norte da atual República Democrática do Congo, próximo ao rio Ebola, que deu nome à doença. Desde então, surtos esporádicos foram registrados principalmente na África subsaariana.

O ebola está presente no Brasil?

Não há registros de casos de ebola no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. O risco para a população brasileira é considerado baixo, embora exista monitoramento de pessoas vindas de regiões com transmissão ativa da doença.

As chances de ocorrênncia aumentam quando cidadãos visitam áreas nas quais há surto de ebola, realizam pesquisas em animais, oferecem assistência médica para pessoas infectadas ou preparam cadáveres de vítimas da doença para enterro.

O que está acontecendo na África?

A República Democrática do Congo enfrenta um novo surto causado pela cepa Bundibugyo. O epicentro está na província de Ituri, região próxima às fronteiras com Uganda e Sudão do Sul.

Autoridades internacionais acompanham a evolução dos casos devido ao potencial de disseminação regional.

Quantas mortes já foram registradas?

Os números do atual surto estão em atualização. O ministro da Saúde da República Democrática do Congo, Samuel Roger Kamba, disse nesta terça-feira que a doença já provocou 131 óbitos e 513 casos suspeitos.

Quais são os sintomas iniciais da doença?

Os primeiros sintomas podem se parecer com os de outras infecções, dificultando o diagnóstico inicial.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, fraqueza intensa, diarreia, vômitos, dor abdominal, perda de apetite, dor de garganta e manifestações hemorrágicas.

Quando a doença fica grave?

Após a primeira semana, o quadro de alguns pacientes pode evoluir para formas mais severas da doença, com diarreia intensa, náuseas, vômitos persistentes, comprometimento do fígado e dos rins e hemorragias internas e externas.

Em casos graves, podem ocorrer choque circulatório e falência de múltiplos órgãos.

Como é feito o diagnóstico da doença?

O diagnóstico do ebola é confirmado por exame laboratorial do tipo PCR, que detecta a presença do vírus no organismo. O protocolo prevê a coleta de duas amostras, com a segunda coleta feita pelo menos 48 horas após a primeira. No Brasil, as análises são encaminhadas ao IEC (Instituto Evandro Chagas).

Pessoas diagnosticadas com ebola devem ser isoladas imediatamente para prevenir a propagação do vírus.

Profissionais de saúde e outras pessoas que entrarem em contato com pacientes doentes devem obrigatoriamente usar EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

Existe vacina ou tratamento?

Existem vacinas experimentais e algumas estratégias já demonstraram proteção contra determinadas cepas, como a Zaire. Ainda não há vacina ou terapia específica aprovada para a cepa Bundibugyo.

As principais medidas de prevenção incluem evitar locais com surtos ativos, lavar as mãos com frequência e evitar contato com pessoas infectadas.

O tratamento consiste principalmente em suporte clínico, com hidratação e controle dos sintomas.

Há risco de uma pandemia global?

Até o momento, organizações internacionais não classificam o atual surto como uma pandemia. O risco é maior para países vizinhos às áreas afetadas, especialmente em regiões com intensa circulação populacional.

O que os países estão fazendo?

Autoridades sanitárias têm ampliado ações de vigilância, monitoramento de viajantes, rastreamento de contatos e preparação de serviços de saúde para identificação imediata de casos suspeitos. A rápida detecção é considerada fundamental para interromper a transmissão.

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (18) uma série de medidas para tentar conter o risco de disseminação do ebola após o avanço do surto na África. Entre as ações estão a suspensão temporária da entrada de alguns viajantes que estiveram recentemente na República Democrática do Congo, em Uganda e no Sudão do Sul, além de triagens em aeroportos e monitoramento de passageiros vindos da região.

Autor: Folha

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