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Entenda o que fortalece um casamento, segundo pesquisadora – 01/07/2026 – Equilíbrio

O think tank conservador americano Heritage Foundation considera que solucionar “o problema” do casamento hoje exige um esforço do porte do Projeto Manhattan, programa secreto dos EUA que desenvolveu a primeira bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial.

“Um problema desta magnitude requer um Projeto Manhattan de abrangência cultural que mobilize o capital político, social e econômico da América”, diz o relatório “Saving America, Saving the Family” (Salvando a América, Salvando a Família), divulgado em janeiro pela organização.

Para a instituição, “a única forma de a América prosperar nas gerações futuras é reconstruir a família, e isso só pode acontecer com um compromisso da sociedade em reviver a instituição do casamento“.

Mas nem todos embarcam na ideia de que o casamento é uma instituição em crise. Segundo a historiadora Stephanie Coontz, não é que o matrimônio seja desvalorizado hoje. A questão é que as expectativas para o que ele deve ser estão mais altas.

“Não existe mais um fetiche em torno da instituição do casamento. Se uma união não está à altura dos padrões de apoio mútuo e gentileza, estamos dispostos a abandoná-la”, ela diz, em entrevista por videoconferência.

Coontz, que é diretora de pesquisa do Council on Contemporary Families, organização dedicada a pesquisas sobre a família contemporânea nos EUA, publicou um novo livro sobre relacionamentos. Em “For Better and Worse: The Complicated Past and Challenging Future of Marriage” (Na alegria e na tristeza: O passado complexo e o futuro desafiador do casamento), a historiadora parte da era das cavernas para desfazer mitos forjados sobre as relações humanas ao longo do tempo.

Um deles é a ideia de que havia uma divisão de trabalho baseada em gênero em que homens caçavam e mulheres aguardavam em casa. É uma percepção que persiste e que, segundo Coontz, acaba fundamentando a ideia de que há uma predisposição genética feminina para atividades domésticas –e que mulheres buscam caçadores aptos para garantir alimento para seus filhos.

A historiadora refuta essa ideia com estudos que mostram que, nesse período, a caça era dividida igualmente entre os grupos, sem distinção de paternidade entre as crianças.

Outro mito que ela desmonta, esse mais recente, é o de que os anos 1950 foram um período idílico para casamentos e famílias. Em um capítulo inteiro dedicado a essa década, a historiadora procura entender as raízes da atual nostalgia.

O que Coontz conclui é bem diferente da ideia vendida por adeptas da tendência tradwife. O segmento conservador defende que mulheres devem assumir integralmente as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos enquanto homens trabalham fora de casa, e acredita que essa divisão de trabalho por gênero garante felicidade.

Mas a historiadora discorda. Para ela, os nostálgicos não sentem falta da separação rigorosa entre os sexos, mas da estabilidade social e econômica do período, que pouco tinha a ver com o fato de as mulheres fazerem uma boa carne assada.

“As pessoas não sentem falta das famílias dos anos 1950. Elas sentem falta da confiança na economia do pós-guerra e da sensação de que a vida estava melhorando, não piorando”, diz.

Hoje, a percepção é diferente. A mobilidade intergeracional caiu e os millennials americanos são a primeira geração com perspectivas financeiras piores que seus pais. A crise climática e a instabilidade política criam mais incerteza.

Agora, o casamento vem mais tarde e associado à ideia de estabilidade prévia. “Muitos términos ocorrem pelo medo das pessoas de não terem estabilidade suficiente para dedicar a energia necessária à relação”, diz Coontz.

Os casais têm opções além do casamento. Há menos pressão para que mulheres casem, já que agora há mais formas de garantir sua subsistência. A historiadora afirma que a taxa de divórcio hoje é, na verdade, menor que nos anos 1950. Parte desse dado se explica pelo fato de mais casais estarem morando juntos antes de casar. “Os que, mesmo assim, se sentem confiantes para casar continuam juntos em taxas mais elevadas.”

Segundo Coontz, ainda há bastante estresse entre os que decidem pelo casamento. A maior parte tem a ver com a divisão do trabalho doméstico, em especial quando crianças entram na equação.

“Poucos casais conseguem fazer o ideal, que seria ambos trabalharem meio período e ter tempo suficiente com os filhos”, afirma. Mas, para a historiadora, mais tempo livre e licenças-paternidade maiores são essenciais para manter a satisfação em uma relação.

Autor: Folha

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