
Estados Unidos, Reino Unido e Noruega frustraram uma operação secreta da Rússia no Ártico que envolvia o teste de uma tecnologia capaz de inutilizar cabos submarinos estratégicos sem deixar sinais evidentes de sabotagem, informou nesta quinta-feira (10) a agência Reuters.
A ação ocorreu nos primeiros meses deste ano nas proximidades do arquipélago de Svalbard, território norueguês situado no extremo norte europeu. Submersíveis russos foram acompanhados e confrontados por forças dos três países da Otan antes de abandonarem a região sem completar a operação. Nenhum cabo foi danificado.
A descoberta aumentou a preocupação dos aliados com a segurança da infraestrutura instalada no fundo do mar. Cabos submarinos sustentam comunicações, operações financeiras e serviços digitais em todo o mundo. Segundo o governo britânico, mais de 99% do tráfego internacional de dados passa por esse tipo de estrutura.
Svalbard também possui importância particular nesse sistema. Dois cabos de fibra óptica, com aproximadamente 1.400 quilômetros, conectam o arquipélago ao território continental da Noruega e transportam dados recebidos pela estação de satélites SvalSat, utilizada inclusive pela rede de comunicações espaciais da Nasa.
Rússia testava nova tecnologia no fundo do mar
De acordo com duas autoridades ocidentais ouvidas pela Reuters, unidades da GUGI, divisão das Forças Armadas russas especializada em operações em grandes profundidades, estavam tentando instalar na região uma nova tecnologia desenvolvida por Moscou para inutilizar cabos submarinos sem deixar sinais claros de sabotagem ou permitir a identificação imediata do responsável pelo ataque.
A agência descreve o equipamento como uma tecnologia “sofisticada e destrutiva”, mas afirma que as autoridades não revelaram como ela funciona. A operação russa buscava testar seu emprego contra infraestrutura submarina em um eventual conflito entre Rússia e Otan.
Parte da movimentação militar russa já era conhecida. Em abril, Reino Unido e Noruega revelaram que haviam acompanhado uma operação envolvendo um submarino russo da classe Akula e unidades ligadas à GUGI no Atlântico Norte.
O governo norueguês também afirmou em abril que as atividades demonstravam que Moscou continuava desenvolvendo meios para mapear e potencialmente sabotar infraestrutura ocidental em grandes profundidades.
O episódio ocorre em meio ao aumento das preocupações ocidentais com operações de sabotagem e outras formas de guerra híbrida atribuídas à Rússia na Europa. A Otan ampliou nos últimos meses suas missões de vigilância depois de uma sequência de danos registrados em cabos e outras instalações submarinas na Europa.
Entre outubro de 2023 e o fim de 2025, pelo menos 11 cabos foram danificados ou rompidos no Mar Báltico, segundo dados citados pela Reuters. A Rússia nega promover sabotagens em países da Otan ou preparar um confronto com a aliança.
Autor: Gazeta do Povo








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