
Nesta quarta-feira (30), os Estados Unidos vão concluir sua retirada do Iraque, com a saída dos últimos dos cerca de 2,5 mil militares americanos que ainda permaneciam no país.
A retirada, que será celebrada no Iraque como o Dia da Independência, com quatro dias de feriado até sábado (3), faz parte de um acordo assinado com Bagdá em 2024, quando o democrata Joe Biden ainda era o presidente americano, e que está sendo colocado em prática pelo republicano Donald Trump.
Em 2003, os Estados Unidos iniciaram uma guerra no Iraque que resultou na queda do então ditador Saddam Hussein. As forças americanas se retiraram em 2011, mas retornaram em 2014 para combater o grupo terrorista Estado Islâmico. Desde então, havia presença militar americana ininterrupta no Iraque.
Iraquianos e especialistas temem que a saída americana abra uma brecha para o Irã, que tem grupos aliados operando no país vizinho.
“O Irã deve se beneficiar estrategicamente da saída da coalizão, pois isso remove uma presença militar que, por anos, atuou como um contrapeso à influência de Teerã no Iraque”, disse Jasim al-Bahadli, analista de segurança iraquiano, à emissora britânica Sky News.
Ao mesmo canal, Abdulrahman al-Zobaie, líder tribal sunita em Faluja, disse que não acredita que o governo do Iraque esteja “totalmente pronto para assumir a responsabilidade pela segurança [do país] neste momento”.
“Todos os iraquianos aspiram à plena soberania, e nenhum iraquiano contestaria isso. Mas acredito que a saída [da coalizão liderada pelos EUA] dessa maneira, criando um vácuo, é o que todos os iraquianos temem”, afirmou.
“Muitos movimentos políticos estão associados a organizações armadas [no Iraque]; portanto, é difícil imaginar uma revolução no setor de segurança acontecendo tão cedo”, disse Renad Mansour, vice-diretor do programa para o Oriente Médio e Norte da África e diretor da Iniciativa Iraque no think tank britânico Chatham House, à agência alemã DW.
“Mesmo dentro de um ano, muitos grupos armados continuarão livres do controle do governo central”, projetou.
A Turquia ainda manterá tropas no Iraque, mas sinalizou no início desta semana que vai entregar gradualmente uma base militar no norte do país ao governo de Bagdá.
Porém, há especialistas que estão mais otimistas. C. Anthony Pfaff, pesquisador sênior sobre Iraque no think tank americano Atlantic Council e coronel reformado do Exército americano, escreveu em artigo que esse encerramento de ciclo pode fortalecer a relação EUA-Iraque, ao invés de enfraquecê-la.
“As forças dos EUA estão partindo, em grande parte, porque os esforços iraquianos e americanos obtiveram sucesso em reduzir a ameaça do Estado Islâmico. Os iraquianos, compreensivelmente, veem isso como uma vitória. Washington também deveria vê-la assim”, disse Pfaff, que apontou que a saída americana também retira das milícias apoiadas pelo Irã o argumento de que agem para expulsar forças estrangeiras.
“Os Estados Unidos devem aproveitar essa oportunidade mantendo a cooperação em inteligência, o apoio antiterrorismo e a assistência em segurança, enquanto constroem relações militares profissionais mais sólidas e ampliam o engajamento econômico [com o Iraque]”, afirmou o coronel.
Autor: Gazeta do Povo








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