O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou nesta quinta-feira (15) que pediu desculpas aos membros do Conselho Executivo da entidade pela forma como conduziu seu projeto fracassado de abrir a Copa do Mundo a investidores privados — um mea-culpa insuficiente para seus críticos.
“Em primeiro lugar, quero dizer que pedimos desculpas pelos erros cometidos na condução e na comunicação” deste projeto, “que tiveram inúmeras consequências”, declarou Infantino em um vídeo divulgado no site da Fifa pouco depois da reunião do Conselho, realizada em Zurique.
O dirigente ítalo-suíço se pronunciou pela primeira vez diante dos membros do Conselho desde o escândalo que quase lhe custou o cargo.
A revelação pela imprensa, no início de agosto, de seu projeto secreto de abrir a Copa do Mundo a investidores privados desencadeou uma onda de críticas sem precedentes; desde então, a Uefa, a Concacaf e a Confederação Asiática pedem sua renúncia.
“Decepcionante”
Era, portanto, o momento de dar explicações a alguns dos 37 membros do Conselho que se opunham ao projeto.
“Tivemos um debate construtivo”, avaliou Infantino.
“É importante lembrar que se tratava de uma proposta, e não de uma decisão definitiva. Essa proposta pretendia simplesmente permitir que a Fifa investisse mais em suas associações-membro, em vez de substituir os recursos existentes”, justificou.
“Agora estamos dispostos a receber todas as perguntas formuladas pelos membros do Conselho da Fifa e a respondê-las por escrito, no devido tempo”, afirmou.
As explicações não convenceram seus opositores.
“O decepcionante é que não obtivemos nenhuma resposta às nossas solicitações específicas”, lamentou Debbie Hewitt, presidente da Federação Inglesa de Futebol e vice-presidente da Fifa, ao deixar a reunião do Conselho, reconhecendo, no entanto, que Infantino havia demonstrado “certo arrependimento”.
“A única coisa pela qual ele realmente se desculpou foi por não ter submetido o assunto ao Conselho”, explicou.
Quanto à exigência de formular por escrito as perguntas sobre o antigo projeto, Hewitt afirmou que Infantino “deve responder a essas perguntas e, se não o fizer agora, não está apto a ser presidente da Fifa”.
“Fizemos muitas perguntas críticas e, do meu ponto de vista, não houve respostas satisfatórias”, lamentou também o presidente da Federação Alemã, Bernd Neuendorf.
“Como já disse, a confiança nele foi perdida. Agora, novas pessoas devem elaborar novas ideias, e é preciso determinar como recolocar esta organização, que é extremamente importante para o futebol mundial, sobre bases sólidas”, acrescentou.
R$ 126 milhões por país
Esse ponto de vista, porém, não é compartilhado por todos os membros do Conselho.
O presidente da Federação Mauritana, Ahmed Yahya, avaliou que o projeto de Infantino era “do interesse do futebol”.
“O que falhou foi a forma”, acrescentou.
O Conselho também aprovou a ampliação de um plano de desenvolvimento para US$ 6,35 bilhões (R$ 32 bilhões) nos próximos quatro anos.
“Isso significa agora, concretamente, que cada uma das 211 associações-membro da Fifa receberá US$ 25 milhões (R$ 126 milhões)”, explicou Infantino, ressaltando que a proposta deve ser aprovada no Congresso da entidade, em dezembro.
“Portanto, permitam-me dizer que, nos dez anos desde que me tornei presidente da Fifa, passamos de US$ 1 milhão (R$ 5 bilhões) por associação-membro da entidade para US$ 25 milhões por associação-membro da Fifa em todo o mundo”, resumiu Infantino.
O ítalo-suíço é, até o momento, o único candidato à presidência da entidade, que comanda desde 2016 e na qual pretende se reeleger em março de 2027.
O prazo para a apresentação de outras candidaturas à eleição termina em 18 de novembro.
Autor: Folha








.gif)












