Quase um mês depois de dois terremotos atingirem a Venezuela, uma partida de futebol voltou a ser disputada no país. Nesta terça (21), o Santos venceu a Universidad Central de Venezuela, em Valencia, a cerca de 150 km de Caracas, por 4 a 1.
Os gols do duelo foram marcados por Gabriel Bontempo, Gabriel Menino, Thaciano e Rony. Maicol Ruiz descontou para a equipe local.
Enfrentando um adversário muito mais fraco, o Santos pouco sofreu na partida. Também não esteve inspirado, mas jogou o suficiente para golear sem muito esforço.
A principal mudança por opção de Cuca em relação à equipe que perdeu para o Botafogo na última quinta foi a saída de Luan Peres, que falhou nos lances dos gols dos cariocas. João Ananias entrou em seu lugar.
Gabriel Menino e Gabriel Bontempo também entraram nos lugares de Igor Vinicius e William Arão, poupados e que nem viajaram para a Venezuela. Já Gustavo Henrique, lesionado, deu lugar a Cristian Oliva no meio-campo.
A UCV foi a campo usando uma camiseta em homenagem a Yimver Berroterán, 18, que atuava pelas categorias de base da UCV e morreu em La Guaira, balneário a cerca de 30 km de Caracas e zona mais afetada pelos sismos.
Antes de a partida começar, houve um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos, que são ao menos 5.208, segundo o regime da líder interina Delcy Rodríguez.
Há 16.740 desaparecidos, também segundo autoridades venezuelanas.
Berroterán era destaque das categorias de base da UCV. Ele jogou quatro partidas com o time profissional. Também atuou pela seleção sub-20 da Venezuela, pela qual disputou um torneio na França no início de junho.
O estádio Misael Delgado, palco do jogo, tem capacidade para cerca de 11 mil torcedores, mas muito mais da metade dos assentos estava vazia. Os ingressos custavam de US$ 5 (R$ 25,35) a US$ 10 (R$ 50,70).
A UCV é de Caracas, mas o local do confronto foi alterado após os terremotos. A capital do país foi bastante afetada pelos sismos; Valencia, não.
De acordo com Alexandre Mattos, diretor-executivo do Santos, o pedido de mudança partiu da equipe brasileira.
“Tínhamos preocupação com a população de Caracas. Com o lado humano. Um jogo envolve forças de segurança, polícia, precisa de hospital disponível caso aconteça algo. Esses serviços devem agora ser prioridade para o povo da Venezuela”, diz.
O Santos doou todas as camisas usadas na partida desta terça para a equipe da Venezuela, que pode leiloá-las para angariar fundos.
Quase um mês depois dos terremotos, a Venezuela luta para reconstruir o país, marcado também por crise social, hiperinflação e emigração em massa nos últimos anos sob o regime de Nicolás Maduro, hoje preso nos Estados Unidos.
O governador do estado de Carabobo, Rafael Lacava, disse à Folha que “nunca chorou tanto” como com as cenas dos sismos e destacou a solidariedade do país após a tragédia.
Na sexta (17), o FMI (Fundo Monetário Internacional) liberou US$ 346 milhões (R$ 1,77 bilhão) em recursos que o país já possuía junto ao organismo, mas que estavam bloqueados, para o plano de reconstrução após os terremotos.
O dinheiro, segundo o comunicado, será usado para reconstruir moradias, infraestrutura e apoiar famílias afetadas, entre outras necessidades prioritárias. Delcy agradeceu à diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, pela liberação dos fundos.
Repórter viajou a convite do Santos
Autor: Folha








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