segunda-feira, setembro 21, 2026
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Governo admite deixar “herança” de dívida pública em 90% do PIB

A possibilidade de a dívida pública chegar a 90% do PIB deixou de ser apenas uma previsão de mercado e passou a fazer parte dos cenários oficiais apresentados pelo governo federal. A marca está incorporada ao Orçamento de 2027 e ao Anexo de Riscos Fiscais enviados pela gestão Lula ao Congresso em 31 de agosto.

No principal cenário, a dívida bruta do governo geral (DBGG) se aproxima dessa marca entre 2029 e 2030, deixando para a próxima gestão uma trajetória de endividamento elevada e crescente pressão sobre as contas públicas.

No fim de 2022, antes do início do terceiro mandato de Lula, a dívida bruta correspondia a 71,7% do PIB. Em julho de 2026, já havia chegado a 82,5%, segundo o Banco Central. Se as projeções oficiais se confirmarem, o endividamento poderá avançar mais de 15 pontos percentuais em relação ao nível do fim de 2022 até o pico previsto pelo governo.

Cenários projetados pelo governo

O governo trabalha com outros cenários: o mais positivo prevê que a dívida pública atinja seu teto em 2028, em 88,4% do PIB, e passe a recuar a partir daí. Já se as receitas ficarem abaixo do previsto e a execução orçamentária fechar no piso da meta – cenário que analistas consideram compatível com uma situação de receitas superestimadas –, a dívida ultrapassaria a marca de 90% já em 2029, chegando a 90,6%, e atingiria o pico de 91,1% em 2031.