
O regime islâmico do Irã afirmou que não abrirá mão de seus “direitos” sobre o Estreito de Ormuz e indicou que a passagem sem custo pela rota marítima valerá apenas por 60 dias, conforme previsto no memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos. A declaração foi feita pelo negociador-chefe iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf em entrevista à TV estatal nesta terça-feira (30), em meio a novas dúvidas sobre o avanço de um acordo definitivo de paz entre Teerã e Washington.
Segundo Ghalibaf, as reuniões conduzidas pelo Irã neste momento têm como objetivo cumprir os compromissos previstos no memorando. Ele afirmou que Teerã não aceitará avançar para novas negociações sobre outros temas enquanto as condições do acordo inicial não forem implementadas.
O Ormuz, rota estratégica para o transporte marítimo de petróleo e gás, voltou ao centro da tensão entre Teerã e Washington após recentes trocas de ataques por alegações de descumprimentos de ambas as partes do acordo de cessar-fogo temporário. De acordo com o negociador iraniano, o Irã exerce soberania sobre a passagem ao lado de Omã e “nunca” fará concessões em relação a seus “direitos” na região.
Ghalibaf afirmou que a passagem gratuita pelo Estreito de Ormuz está limitada ao período de 60 dias previsto no memorando.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, disse que o Estreito de Ormuz é um dos pontos centrais das negociações em curso. Segundo ele, Doha está coordenando neste momento com Omã a passagem de embarcações pela rota e considera a liberdade de navegação um direito garantido aos países do Golfo Pérsico.
Apesar da chegada a Doha dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, o Catar negou que esteja ocorrendo neste momento novas negociações diretas entre Estados Unidos e Irã. Segundo al-Ansari, os dois representantes do governo Trump estão no país para conversar com mediadores, e não diretamente com a delegação iraniana.
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghaei, afirmou que “não haverá nenhuma negociação, em nenhum nível, com a parte americana”. De acordo com Baghaei, a delegação iraniana também viajou ao Catar apenas para tratar da liberação de ativos bloqueados do Irã, prevista no memorando de entendimento.
Baghaei disse que o Irã ainda não entrou na fase de negociação de um acordo definitivo de paz com os EUA. Segundo ele, essa etapa só poderá começar depois da implementação de medidas relacionadas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo a reabertura total do Estreito de Ormuz, a liberação dos fundos iranianos e a suspensão de sanções ao petróleo e aos produtos petroquímicos do país.
As conversas ocorrem dentro do roteiro de 60 dias firmado no começo deste mês para tentar alcançar um acordo definitivo no conflito. O memorando assinado por iranianos e americanos prevê, entre outros pontos, avanços sobre o fim do programa nuclear iraniano, alívio de sanções e garantias de livre trânsito pelo Estreito de Ormuz.
Nos últimos dias, o Irã atacou navios no Ormuz e os Estados Unidos responderam com bombardeios contra alvos militares na costa sul iraniana. Teerã, por sua vez, respondeu com ataques contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein.
Na entrevista à TV estatal, Ghalibaf afirmou que o Irã continua buscando o diálogo, mas advertiu que o país está preparado para uma escalada militar caso as negociações não sejam implementadas.
“Estamos buscando o diálogo, mas, se o diálogo não for implementado, também estamos preparados para a guerra e responderemos de acordo”, disse o negociador iraniano.
Autor: Gazeta do Povo








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